Para o alto e avante

Em nosso primeiro dia de atividade do Blog, recebemos muito apoio e mensagens de sucesso e parabenizações. Muito obrigado, pessoal! Isso só aumenta nossa responsabilidade perante nossos leitores!!!

Como não sou acostumado a blogar (para isso, conto com a parceria e a expertise do amigo Maurício, um dos maiores e mais influentes blogueiros jurídicos brasileiros), para mim, este é um campo ainda pouco explorado. Afinal, dar a cara a tapa é sempre uma atitude de coragem e, talvez, tolice.

Isso porque, em tempos de internet e redes sociais, privacidade é commodity das mais valiosas. Mas é também incompatível com o desejo de colaboração em massa. Um blog tem, nesse sentido, a finalidade de expor e difundir informação. E isso não pode ser feito de outra maneira senão ostensivamente. Daí a responsabilidade por geração de conteúdo. Essa será, podem ter certeza, a nossa diretriz principal no Blog. Não somente porque escreveremos para pessoas comuns, muitos talvez leigos no assunto, mas, sobretudo, porque também escreveremos para especialistas.

E hoje tivemos a prova disso. Em nosso primeiríssimo dia.

Recebemos, dentre os muitos emails bacanas, uma mensagem simples, mas que nos deixou muito satisfeitos. Em duas linhas – pontuadas – seu remetente foi curto e objetivo: 1) parabenizou-nos pela iniciativa e 2) revelou-se também um curioso do Direito informático, registrando seu site pessoal.

Mal sabe ele, jurista respeitado que é, que já o conhecíamos por sua atuação profissional pública e, menos ainda, que já consultávamos seu site e já lemos de trás para frente seu livro eletrônico sobre informática jurídica e Direito da Informática! Aliás, seu site está entre nossos Favoritos do navegador… 🙂

Esse visitante ilustre é o Professor Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional e Conselheiro Federal da OAB (pelo DF).

Obrigado, Professor, pela deferência! Esperamos poder contar com sua colaboração e experiência nessa área!

E assim vamos em frente. Hoje foi só confete. Amanhã, o Blog passa a fazer parte do nosso dia-a-dia pra valer. Entre prazos, projetos e trabalhos, agora temos mais este desafio a superar.

Mas, afinal, quem tem medo de trabalho?

Como diz o porteiro do meu prédio:

Caminhão que fica parado não faz frete, doutor!

É isso aí, Seu Jonas. Sabedoria popular rulez!

Entre o luxo e a eficiência: o sonho de ter uma boa workstation

foto

A foto acima é da minha workstation: teclado e mouse wi-fi e duas telas de 40 polegadas operando em um mesmo ambiente do sistema operacional, ambas a uma boa distância dos olhos. Os antebraços ficam confortavelmente escorados em uma mesa larga, aliviando as tensões nos braços e a musculatura envolvida na digitação.

Sonho de consumo pessoal realizado!

Exagero?

Eis o ponto!

Qual o limite para se montar uma workstation que satisfaça as necessidades do usuário SEM ser exagerado?

Hoje, ao menos nos grandes escritórios, é difícil ver um estação de trabalho que não tenha duas telas disponibilizadas para o usuário. Uma aberta no editor de texto e outra liberada para pesquisa e navegação na web.

Isso tem uma razão de ser de fácil explicação: produtividade.

Eu, quando trabalho, mantenho ao menos 5 programas diferentes em aberto (navegador, tweetdeck, word, skype e paintbrush), afora, no mínimo, 10 abas diferentes abertas do navegador. Curiosamente, a gestão das informações, que aparentemente parece ser impossível de conciliar entre tantos aplicativos, é relativamente fácil de ser conduzida. Com duas telas, mais ainda.

A lógica envolvida aqui é a da eficiência e de seu retorno em face do investimento a ser realizado para se estruturar uma workstation “turbinada”. Pode parecer exagero, mas cogito incorporar uma 3ª tela e com ela aumentar ainda mais a eficiência do meu trabalho.

E essa é a baliza!

Montar um workstation mais sofisticado deve levar em conta o volume de informações com que o operador do Direito lida e, concomitantemente, o volume de trabalho diário. Volume de informações guarda correlação com sua pesquisa, volume de trabalho com as petições, pareceres e textos a serem produzidos e a quantidade de diferentes fontes a serem pesquisadas.

E nós sabemos hoje que a internet é a fonte primária de pesquisa jurídica. E não só de pesquisa, mas também de interação com os mais diferentes tribunais. Gostem ou não, mas o processo físico, os autos processuais, são peças em via de extinção. Mais 3 ou 4 anos, arrisco dizer, tudo será digital (lembrem-se de que o Facebook pegou mesmo no Brasil há cerca de 2-3 anos, e a internet, propriamente dita, de meados da década de 90 para cá; portanto, falar em 3 ou 4 anos de “cronologia digital” é como falar em décadas para a realidade da linha de tempo humana).

Foto: Nelson Jr./ STF
Veja Online

Hoje ter uma workstation dotada de mais recursos não é mais um luxo: é uma necessidade do ofício para muitos. O profissional da advocacia (do Direito, de um modo geral) precisa de soluções tecnológicas adequadas para uma interação digital mais profunda relacionada com o exercício do jus postulandi.

Falo aqui de um acréscimo óbvio de produtividade e, mais além, de uma necessidade operacional, uma vez que o processo eletrônico está aí.

O “X” da questão está na redução da perda de foco durante o processo de produção. Com o aumento do número de telas (partindo de duas e indo até três ou quatro) a alternância no número de janelas do navegador ou no uso de programas é reduzida de forma substancial, e o processo criativo (e peticionar é um processo essencialmente criativo!) sofrerá menos interrupções, redundando também um melhor aproveitamento do fluxo de ideias e a manutenção por mais tempo da concentração e do foco. A exigência de trocar de a imagem da tela (seja programa ou aba de navegador) para buscar qual a informação necessária no momento é menor e a interação com a interface de trabalho não se sobreporá ao conteúdo do trabalho em si – a essência daquilo que o operador do Direito precisa desincumbir.

E afirmar isso não é nenhuma novidade. Há um artigo do site Coding Horror – programming and human factors que trata do uso de duas telas para se trabalhar publicado há 9 (!) anos atrás.

Em 2006, o jornal The New York Times publicou uma reportagem, segundo o site Life Hacker, dando conta de que a produtividade aumentava de 20 a 30% com o acrescimento do 2º monitor.

As vantagens são manifestas!

E o custo disso?

Ter dois monitores, um desktop (me perdoem os usuários de tablets e laptops, mas o desktop é insubstituível quando o assunto é trabalho), uma placa de vídeo, mouse e teclado wi-fi, de qualidade, custa algo que vai dos 4 aos 6 mil reais, sendo que o tamanho e o tipo dos monitores é que implicarão em um maior valor real.

Não raro, como é o caso da minha workstation, telas de TV acabam substituindo os monitores tradicionais, com um acréscimo sensível de informações para o campo visual, redundando em mais conforto e menos problemas de visão (falo isso com conhecimento de causa, empírico).

O workstation acima custou 10 mil reais, com caixas de som completas, impressora, mouse e teclado wi-fi, 2 telas Sony Bravia de 40 polegadas, o roteador, computador e placa de vídeo. Como se trata de um investimento de longo prazo, o custo final acaba sendo diluído no tempo. A cada dois anos bastará trocar o computador por um mais moderno. Os demais periféricos podem ser usados por muito mais tempo, representando uma economia no longo prazo e o aproveito do correlato conforto proporcionado.

Em suma, a questão do custo X benefício se justifica tanto no curto prazo (qualidade de trabalho e de vida) como no longo (aumento da produtividade no trabalho e redução marginal de custos com hardware).

Não se trata mais de um luxo, e, sim, de produtividade e enquadramento na nova realidade determinada pela digitalização dos processos produtivos e cognitivos no Brasil.

De uma forma ou de outra, mais cedo do que tarde, o operador do Direito terá de se conformar a esta realidade.

Aliás, falando em luxo, meu sonho mesmo era ter uma workstation como a da foto abaixo:

Emperor Workstation
LikeCool

…aí sim eu diria que o esquema seria profissional!

O começo de tudo

Em 1981, durante o governo Ronald Reagan, o Secretário da Educação do gabinete presidencial, Terrel Howard Bell (1921 – 1996), criou a Comissão Nacional de Excelência em Educação com um objetivo desafiador: produzir um relatório detalhado sobre a qualidade da educação nos Estados Unidos.

A Nation at Risk

E assim foi feito.

Composta por educadores de renome, a Comissão apresentou, em abril de 1983, o relatório intitulado “Uma Nação em risco: a Imperatividade de uma Reforma Educacional“, considerado um marco na história americana moderna sobre educação. Em pouco mais de 40 páginas, o relatório apresentou um quadro alarmante para as autoridades americanas sobre o futuro da educação no país e revelou, em uma pequeno trecho, um aspecto visionário: a importância do conhecimento na chamada Era da Informação.

Vivemos hoje um momento da História sem precedentes para a humanidade. Nunca antes se produziu tanta informação e se compartilhou tanto conhecimento. Isso se deve essencialmente ao progresso tecnológico, que modificou a forma como baseamos nossa economia e nos relacionamos uns com os outros, em todos os níveis: profissional, comercial, social, até mesmo sexualmente.

A invenção do computador, associado ao surgimento de tecnologias de processamento e transmissão de dados em longas distâncias, foram as causas principais da chamada Revolução Digital, em contraponto à Revolução Industrial do século XVIII. E essas novas tecnologias computacionais permitiram o surgimento rápido de novos padrões de comportamento social, afetando com incrível rapidez a economia e a cultura das sociedades modernas.

Se, por um lado, a sociedade muda à velocidade de um clique, por outro lado, o Direito não consegue acompanhar essa evolução.

Dentre as democracias modernas do mundo contemporâneo, o Brasil, particularmente, possui um sistema de leis defasadas e de baixa qualidade técnica. E, para agravar a situação, temos um processo legislativo extremamente lento, o que praticamente elimina qualquer esperança de contemporaneidade entre leis e tecnologia.

Essa disparidade é visível no dia a dia. A maioria dos brasileiros alfabetizados navega com regularidade pela internet e tem algum grau de facilidade de uso computacional, acessando, produzindo ou difundindo informação, mas isso não se reflete em consciência sobre os direitos e deveres que surgem no consumo e manuseio dessas tecnologias e instrumentos.

Há, por assim dizer, um grande abismo de conhecimento jurídico a ser explorado, que se torna cada vez mais profundo à medida que nosso Poder Legislativo releva o cumprimento de sua função constitucional básica: a de legislar.

Por isso, tivemos a ideia de lançar este Blog.

Um espaço voltado principalmente à informação fácil e descomplicada sobre os mais variados aspectos do Direito Digital presentes nas relações humanas em geral. Temos a pretensão ousada e desafiadora de simplificar a linguagem jurídica e torná-la de fácil compreensão, mas sem perder a qualidade técnica.

Somos apaixonados por tecnologia. Vivemos e respiramos tecnologia. Somos nerds desde os tempos da infância. Crescemos cercados das mais modernas tecnologias de consumo pessoal e doméstico. Por isso, hoje, somos aquilo que o mercado chama de heavy users.

Temos a firme convicção de que o mundo nunca mais foi (nem será) o mesmo desde que o computador pessoal foi desenvolvido na garagem de Steve Jobs em 1976, dando o pontapé inicial a sua popularização.

E foi com essa visão que citamos aqui uma famosa frase ainda hoje muito atual, extraída do relatório norte-americano de 1983 sobre educação:

Aprender é o investimento indispensável exigido para o sucesso na Era da Informação.

É evidente que o sucesso, hoje em dia, depende de informação e de conhecimento, elementos que só se adquirem com o aprendizado, com a leitura. Mas podemos avançar um pouco: o sucesso não mais depende apenas do conhecimento. Para se chegar lá, já se tornou indispensável ir muito além disso. Pedimos licença aos nossos leitores para adaptar essa frase a uma verdade nua e crua:

Aprender é o investimento indispensável exigido para sobreviver na Era da Informação.

Tendo isso em mente é que queremos, de hoje em diante, compartilhar, com vocês, leitores (e usuários – como nós – de toda essa modernidade) nosso conhecimento, nossas experiências, dúvidas, medos, anseios e os sonhos que temos para esse mundo cada vez mais tecnológico e informatizado.

Chega de conversa. Mãos à obra. Ou melhor: dedos ao teclado.

Hoje apresentamos ao mundo o Blog Forum Digital. Onde direito e cultura digitais caminham lado a lado… e de mãos dadas! 😉

Abraços a todos.

Mauricio Gieseler e Fabricio Mota.

Direito e cultura na Era da Informação

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