Indiano transforma a própria casa em “Facebook”

Indiano transforma a própria casa em “Facebook”

…e, muito provavelmente, em um futuro ponto turístico.

No mínimo, engraçado!

Fonte: det.vn

O viral da semana: aprendendo a usar o #hashtag

Desde a última quarta-feira, uma imagem muito interessante, divulgada pelo perfil Inteligente Vida no Facebook, conseguiu a proeza de se alastrar pela rede social a uma velocidade de interação digna de nota.

E mereceu esta nossa agora.

Até o momento em que escrevo este post, a imagem já atingiu a marca de 4708 compartilhamentos na rede social, 3910 “curtidas” e 519 comentários diretos. Em 5 dias? #uau

Impressionante, não?

E o que poderia ter de tão relevante nessa imagem? Afinal, não tem apelo sexual, político, jurídico nem mesmo comercial.

Mas ela traz, de forma gráfica e com linguagem simples, algumas informações bem ao estilo “prêt-à-porter” sobre regras de comportamento linguístico em redes sociais.

Vou ser mais específico: é um manual prático de uso do hashtag (ou octothorpe, sustenido, cerquilha). Saiba mais aqui e aqui.

Muitos entre vocês, leitores, sabem bem o que é um hashtag. Outros, se não sabem, ao menos já viram algum amigo escrever no twitter, instragram ou no facebook usando aquele conhecido sinal de jogo-da-velha (#) antes de uma palavra qualquer.

Funciona assim… o internauta gosta de #novidade. Afinal, todo mundo quer mostrar para seus #amigos que está à frente de todos, um verdadeiro #geek da #redesocial. Ora, não é demais lembrar, hoje em dia, ser #geek ou ser #nerd é ser #cool.

Entenderam? Ou #querquedesenhe? 🙂

Brian Solis

O hashtag é realmente uma invenção excelente, mas não é novidade. Não surgiu com o twitter nem com o instagram. Sua origem remonta aos tempos do saudoso IRC. Mas foi o twitter que “salvou” o símbolo do ostracismo linguístico. Hoje, porém, não vou descer aos detalhes sobre sua “história”. Minha intenção é, na verdade, data maxima venia, criticar (levemente) a crítica. Ou uma pequena parte dela. Em defesa da liberdade de expressão! 😉

É claro que a ideia foi brilhante. Como heavy user das redes sociais, achei ótimo dar um pouco de informação nerd para os internautas brasileiros. Sou do tempo (3-4 anos atrás) em que o twitter era a modinha geek do momento. E, claro, aprendi rapidamente a usar hashtag. Por muito tempo, somente para citar um exemplo, o Blog Exame de Ordem, do Mauricio, cujo crescimento acompanhei de perto, teve como uma das principais ferramentas de comunicação social o twitter.

Quando ele migrou para o facebook, comentou comigo a facilidade em percerceber que muitos novatos em redes sociais tiveram seu début no moribundo orkut (ou mesmo no facebook), “pulando” a fase do twitter (alguns até mesmo desprezando de propósito). Instagram, então, tem gente que nem sabe o que é até hoje.

Aí, já viram, né? O pessoal começou a acompanhar os usuários mais pop do facebook, os mais descolados, mais cool e passou a vê-los usando hashtag pra cá, hashtag pra lá… uma tempestade de novas palavras: #partiupraia, #prontofalei, #fail, #forasarney, #ficaadica, #BBB, #advocaciafacts, #fichalimpa. Digam-me vocês: e quem é que resiste à tentação de seguir a moda? A cultura associada à tecnologia é tão fortemente influenciável que cria até mesmo distorções morais… Algum tuiteiro aí se lembra da história da bebezinha batizada de Hashtag Jameson? Bem, se a história é verdadeira ou não, rapidamente propagaram-se pelo twitter os hashtags#Foolishparents, #YourParentsHateYou e #StupidestNameEver.

Como tudo no facebook é sobre compartilhamento, as pessoas começaram a reproduzir essas palavras à exaustão aderindo à nova linguagem social e, aos poucos, difundindo a “o jargão do hashtag“.

Bem, até aí, tudo bem.

O problema é que, às vezes, os mais puristas se revoltam contra a “popularização” de alguns valores outrora mais reservados. Quem conhece o instragram deve se lembrar da revolta dos mais antigos usuários (ou seja, todos donos de iPhone, já que o app só estava disponível para o iOS da empresa da Maçã), quando a desenvolvedora abriu o aplicativo também para os usuários do Android… A velha política de guetos, agora em versão linguística.

Pessoal, a linguagem é a mais cara forma de expressão da raça humana. É a nossa principal marca. Nosso legado. Escrita, falada, gestual, corporal, artística, musical… estamos aptos a nos expressar das mais diversas formas.

E, obviamente, nossa linguagem reflete nossa cultura (e vice-versa).

Daí que a proposta de uso do hashtag sugerida pelo designer gráfico Luis Barrelin é exageradamente preciosista. Não há quem goste de falar com erudição, com aquelas palavras difíceis, compridas, e que criticam calorosamente a chamada “linguagem coloquial ou popular”? Pois é. Temos agora o eruditismo digital… e a julgar pela quantidade de compartilhamentos e curtidas que a foto teve, acho que esse vírus se espalhou.

Ora, mesmo que o hashtag não tivesse utilidade no facebook, nem por isso as pessoas deveriam deixar de usá-lo.

Sim, isso mesmo, atento leitor. Eu disse “mesmo que não tivesse utilidade”…

A imagem está errada nesse ponto: o hashtag funciona, SIM, no facebook, ao contrário do que diz o texto. Na verdade, como qualquer outra palavra escrita no seu mural, nas atualizações públicas de status, em algum grupo de discussão ou página, basta fazer uma busca por palavras que o sistema retorna todos os resultados com aquele termo ou expressão. Experimentem buscar pela palavra ficaadica escolhendo a opção “Publicações de amigos” ou “Atualizações públicas“. Como se vê, o hashtag acabou por ter alguma utilidade de sua origem também no facebook…

Voltemos ao gráfico.

O texto é cruelmente taxativo:

Faça-nos um favor e utilize o #hashtag corretamente… ou não faça uso dele.

Pior:

Quem usa hashtag no facebook seja por status, fotografia ou qualquer coisa do tipo, simplesmente é alvo de risadas de pessoas que entendem do tipo.

Ouso discordar. Reconheço que o uso adequado do hashtag é algo que tem tudo a ver com sua utilidade. Ele serve originalmente para aquilo mesmo que consta do gráfico: facilitar a busca, indexar, classificar, marcar palavras.

Ok. Até aí, tudo bem.

Mas já estamos em um determinado momento da Era Digital em que a cultura adapta-se rapidamente às novas tecnologias. Querem exemplo maior do que o que vemos com a imprensa televisionada? Hoje é a internet que pauta a TV. Bem mais rápida (instantânea, na verdade), mais objetiva e absolutamente interativa. Um canal multilateral de comunicação em contraponto à passividade da televisão e do rádio.

Ora, quando eu passo a me comunicar excessivamente em determinado meio, conscientemente ou não, passo também a me expressar conforme aquele meio. Que o digam os adolescentes e suas abreviações. vc, mlk, 9inha, kd, sds, abrs, bj. E os advogados em suas petições? Um juiz amigo meu certa vez me disse que consegue perceber, pela simples forma de falar ou de escrever, se o advogado dá aulas ou não. Concordo com ele. O meio nos leva à adaptação de comportamento e, claro, de expressão.

IBM PC XT monitor
Wikipedia

Talvez muitos leitores não tenham idade suficiente para terem vivido a época dos IBM PC de tela escura e caracteres verdes. Não havia, no início, como acentuar as palavras. Todos os computadores pessoais eram importados. Só nos restava escrever sem acento, sem as letras “latinas” com cedilha, trema etc.

Já naquela época, mesmo depois da incorporação do teclado ABNT de 101/102 teclas ao mercado consumidor brasileiro, muitos ainda escreviam emails como antigamente (eh, estah, soh) e nem por isso eram motivo de piada pelos “modernos” proprietários de teclados ABNT.

E os emoticons? Aqueles simbolos que revelam emoções e sentimentos textualmente? Na “pré-história” da computação, não havia essas “carinhas” que hoje a gente vê no facebook, messenger… não tinha nem mesmo múltiplas cores nos monitores.

Mas todo mundo gostava de usar os emoticons:

  • Estou feliz. : )
  • Estou triste. : (
  • Amo você. S2
  • Estou com raiva. 😡
  • Estou surpreso. :O

Escrever dessa forma hoje no facebook é motivo de piada? Não. É só uma forma de comunicação. O que importa é que atinge sua finalidade. “Ah“, vocês dirão, “mas o hashtag não é forma de expressão, é instrumento de busca por palavras“.

Fala sério, né, pessoal?

Há muito tempo que o hashtag virou forma de se expressar, SIM. É um “plus a mais” na linguagem facebookiana. Na verdade, em qualquer forma de comunicação escrita hoje em dia. Já recebi emails, SMS e até mesmo mensagens no whastapp com essa forma de expressão. E os entendi muito bem. Usado dessa forma, “desvirtuada” de sua finalidade original, o hashtag passou a expressar um reforço na linguagem, algum valor destacado que se quer atribuir. Ou um simples toque de humor ou de seriedade a algum conteúdo qualquer: #cansei #boanoite #offline #felizdemais #ocupado.

Não é que seja inútil, como sugere o gráfico.

É que, simplesmente, o hashtag ganhou novas funções para comunicação da sociedade digital.

Intelligent HeadQuarters

E amanhã? No que será que vai se transformar? Como será utilizado esse instrumento de linguagem? Não faço a menor ideia. Mas posso apostar um pastel amanhecido e uma coca-cola quente como nossos filhos usarão o hashtag de uma forma ainda hoje completamente impensada por qualquer um de nós…

Vocês, eu não sei. Mas eu não vou rir deles, não.

Afinal, o mané dos novos tempos poderei ser eu. #tofora

P.S.: Em tempo, gostei da sacada do Luis Barrelin. Genial e com um resultado midiático fenomenal. Tirando o assassinato ao vernáculo (e a gente não riu dele por isso), só não concordei com tudo o que li. Achei preciosista demais.

Para o alto e avante

Em nosso primeiro dia de atividade do Blog, recebemos muito apoio e mensagens de sucesso e parabenizações. Muito obrigado, pessoal! Isso só aumenta nossa responsabilidade perante nossos leitores!!!

Como não sou acostumado a blogar (para isso, conto com a parceria e a expertise do amigo Maurício, um dos maiores e mais influentes blogueiros jurídicos brasileiros), para mim, este é um campo ainda pouco explorado. Afinal, dar a cara a tapa é sempre uma atitude de coragem e, talvez, tolice.

Isso porque, em tempos de internet e redes sociais, privacidade é commodity das mais valiosas. Mas é também incompatível com o desejo de colaboração em massa. Um blog tem, nesse sentido, a finalidade de expor e difundir informação. E isso não pode ser feito de outra maneira senão ostensivamente. Daí a responsabilidade por geração de conteúdo. Essa será, podem ter certeza, a nossa diretriz principal no Blog. Não somente porque escreveremos para pessoas comuns, muitos talvez leigos no assunto, mas, sobretudo, porque também escreveremos para especialistas.

E hoje tivemos a prova disso. Em nosso primeiríssimo dia.

Recebemos, dentre os muitos emails bacanas, uma mensagem simples, mas que nos deixou muito satisfeitos. Em duas linhas – pontuadas – seu remetente foi curto e objetivo: 1) parabenizou-nos pela iniciativa e 2) revelou-se também um curioso do Direito informático, registrando seu site pessoal.

Mal sabe ele, jurista respeitado que é, que já o conhecíamos por sua atuação profissional pública e, menos ainda, que já consultávamos seu site e já lemos de trás para frente seu livro eletrônico sobre informática jurídica e Direito da Informática! Aliás, seu site está entre nossos Favoritos do navegador… 🙂

Esse visitante ilustre é o Professor Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional e Conselheiro Federal da OAB (pelo DF).

Obrigado, Professor, pela deferência! Esperamos poder contar com sua colaboração e experiência nessa área!

E assim vamos em frente. Hoje foi só confete. Amanhã, o Blog passa a fazer parte do nosso dia-a-dia pra valer. Entre prazos, projetos e trabalhos, agora temos mais este desafio a superar.

Mas, afinal, quem tem medo de trabalho?

Como diz o porteiro do meu prédio:

Caminhão que fica parado não faz frete, doutor!

É isso aí, Seu Jonas. Sabedoria popular rulez!

Entre o luxo e a eficiência: o sonho de ter uma boa workstation

foto

A foto acima é da minha workstation: teclado e mouse wi-fi e duas telas de 40 polegadas operando em um mesmo ambiente do sistema operacional, ambas a uma boa distância dos olhos. Os antebraços ficam confortavelmente escorados em uma mesa larga, aliviando as tensões nos braços e a musculatura envolvida na digitação.

Sonho de consumo pessoal realizado!

Exagero?

Eis o ponto!

Qual o limite para se montar uma workstation que satisfaça as necessidades do usuário SEM ser exagerado?

Hoje, ao menos nos grandes escritórios, é difícil ver um estação de trabalho que não tenha duas telas disponibilizadas para o usuário. Uma aberta no editor de texto e outra liberada para pesquisa e navegação na web.

Isso tem uma razão de ser de fácil explicação: produtividade.

Eu, quando trabalho, mantenho ao menos 5 programas diferentes em aberto (navegador, tweetdeck, word, skype e paintbrush), afora, no mínimo, 10 abas diferentes abertas do navegador. Curiosamente, a gestão das informações, que aparentemente parece ser impossível de conciliar entre tantos aplicativos, é relativamente fácil de ser conduzida. Com duas telas, mais ainda.

A lógica envolvida aqui é a da eficiência e de seu retorno em face do investimento a ser realizado para se estruturar uma workstation “turbinada”. Pode parecer exagero, mas cogito incorporar uma 3ª tela e com ela aumentar ainda mais a eficiência do meu trabalho.

E essa é a baliza!

Montar um workstation mais sofisticado deve levar em conta o volume de informações com que o operador do Direito lida e, concomitantemente, o volume de trabalho diário. Volume de informações guarda correlação com sua pesquisa, volume de trabalho com as petições, pareceres e textos a serem produzidos e a quantidade de diferentes fontes a serem pesquisadas.

E nós sabemos hoje que a internet é a fonte primária de pesquisa jurídica. E não só de pesquisa, mas também de interação com os mais diferentes tribunais. Gostem ou não, mas o processo físico, os autos processuais, são peças em via de extinção. Mais 3 ou 4 anos, arrisco dizer, tudo será digital (lembrem-se de que o Facebook pegou mesmo no Brasil há cerca de 2-3 anos, e a internet, propriamente dita, de meados da década de 90 para cá; portanto, falar em 3 ou 4 anos de “cronologia digital” é como falar em décadas para a realidade da linha de tempo humana).

Foto: Nelson Jr./ STF
Veja Online

Hoje ter uma workstation dotada de mais recursos não é mais um luxo: é uma necessidade do ofício para muitos. O profissional da advocacia (do Direito, de um modo geral) precisa de soluções tecnológicas adequadas para uma interação digital mais profunda relacionada com o exercício do jus postulandi.

Falo aqui de um acréscimo óbvio de produtividade e, mais além, de uma necessidade operacional, uma vez que o processo eletrônico está aí.

O “X” da questão está na redução da perda de foco durante o processo de produção. Com o aumento do número de telas (partindo de duas e indo até três ou quatro) a alternância no número de janelas do navegador ou no uso de programas é reduzida de forma substancial, e o processo criativo (e peticionar é um processo essencialmente criativo!) sofrerá menos interrupções, redundando também um melhor aproveitamento do fluxo de ideias e a manutenção por mais tempo da concentração e do foco. A exigência de trocar de a imagem da tela (seja programa ou aba de navegador) para buscar qual a informação necessária no momento é menor e a interação com a interface de trabalho não se sobreporá ao conteúdo do trabalho em si – a essência daquilo que o operador do Direito precisa desincumbir.

E afirmar isso não é nenhuma novidade. Há um artigo do site Coding Horror – programming and human factors que trata do uso de duas telas para se trabalhar publicado há 9 (!) anos atrás.

Em 2006, o jornal The New York Times publicou uma reportagem, segundo o site Life Hacker, dando conta de que a produtividade aumentava de 20 a 30% com o acrescimento do 2º monitor.

As vantagens são manifestas!

E o custo disso?

Ter dois monitores, um desktop (me perdoem os usuários de tablets e laptops, mas o desktop é insubstituível quando o assunto é trabalho), uma placa de vídeo, mouse e teclado wi-fi, de qualidade, custa algo que vai dos 4 aos 6 mil reais, sendo que o tamanho e o tipo dos monitores é que implicarão em um maior valor real.

Não raro, como é o caso da minha workstation, telas de TV acabam substituindo os monitores tradicionais, com um acréscimo sensível de informações para o campo visual, redundando em mais conforto e menos problemas de visão (falo isso com conhecimento de causa, empírico).

O workstation acima custou 10 mil reais, com caixas de som completas, impressora, mouse e teclado wi-fi, 2 telas Sony Bravia de 40 polegadas, o roteador, computador e placa de vídeo. Como se trata de um investimento de longo prazo, o custo final acaba sendo diluído no tempo. A cada dois anos bastará trocar o computador por um mais moderno. Os demais periféricos podem ser usados por muito mais tempo, representando uma economia no longo prazo e o aproveito do correlato conforto proporcionado.

Em suma, a questão do custo X benefício se justifica tanto no curto prazo (qualidade de trabalho e de vida) como no longo (aumento da produtividade no trabalho e redução marginal de custos com hardware).

Não se trata mais de um luxo, e, sim, de produtividade e enquadramento na nova realidade determinada pela digitalização dos processos produtivos e cognitivos no Brasil.

De uma forma ou de outra, mais cedo do que tarde, o operador do Direito terá de se conformar a esta realidade.

Aliás, falando em luxo, meu sonho mesmo era ter uma workstation como a da foto abaixo:

Emperor Workstation
LikeCool

…aí sim eu diria que o esquema seria profissional!

Direito e cultura na Era da Informação

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