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Advogado e editor do Blog Exame de Ordem. Interessado na internet, difusão de informações e em redes sociais. Poeta frustrado e mergulhador amador.

O mais novo meme da internet: Hallway Swimming (ou Nadando no Corredor)

Falar sobre os hits do momento na internet é sempre uma pauta interessante, mais ainda quando viralizam rapidamente. Já abordamos esse assunto algumas vezes e, sinceramente, não tem como não voltar a falar deles: os memes. O objeto do desejo de 11 a cada 10 publicitários…

O que faz um viral?
Marketing viral jurídico
O viral da semana: aprendendo a usar o #hashtag

Então, como nossa pauta também é cultura digital, apresentamos o mais novo meme da internet: o Hallway Swimming. Em tradução literal, “Nadando no Corredor”.

O video tem apenas 11 segundos de duração e foi publicado por um jovem canadense em 2 de abril, mas já atingiu mais de 3,8 milhões de visualizações e dezenas de adaptações no Youtube.

O que se vê não tem nada de mais. Ainda assim, ganhou a simpatia (ou despertou a curiosidade, pelo menos) dos internautas: o jovem estudante apenas deita-se no chão do corredor de sua escolha e fica deslizando de um lado para outro, como se estivesse se impulsionando na borda de uma piscina, de uma “extremidade” à outra, para começar a “nadar”.

A brincadeira em nada se assemelha ao Harlem Shake, exceto pela rapidez com que se espalha pela internet e ganha adaptações. Boa dose de “culpa” do catalisador desse viral pode-se atribuir ao rapper americano Soulja Boy, que reproduziu (tentou, pelo menos) a brincadeira.

Confira o hit do momento e dê sua opinião:

Escolhemos, também, algumas variações de que mais gostamos. Dentro do possível, é claro… 😉

O que faz um viral?

Olhem bem a imagem abaixo:

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Reconheceram? Se não, ao menos a frase vocês identificaram. Claro, por um rápido lapso de tempo, o “haja o que hajar” virou a piada da hora na internet, por conta da conjugação errada do verbo haver, como, também, obviamente, por ter sido tatuada nas costas da moça da foto.

Dessa forma, o “brilho” da frase foi “imortalizado” de forma indelével em uma tatuagem. O primeiro pensamento que assalta quem vê isso é:

Mas como foi possível cometer tamanha atrocidade?

O sentimento de perplexidade e, claro, de divertimento (o ser humano adora a galhofa) é despertado em toda uma coletividade… Afinal, compartilhamos a mesma cultura, o mesmo momento histórico, os mesmos meios de comunicação em massa (em especial falo da internet) e a mesma compreensão linguística.

Pronto, essa é a química para o divertimento com a ingenuidade (e o vacilo) alheio. Some isso ao poder de difusão da internet, onde todos são agentes produtores de conteúdo e podem, simultaneamente, tomar contato com as informações geradas, modificá-las, recriá-las, adaptá-las de quase todas as formas possíveis e redinfundi-las na mesma velocidade.

Eis a fórmula de um viral: envolvimento simultâneo com um determinado tema por uma massa representativa de pessoas.

Estar conectado à internet não é requisito essencial ao conceito, mas é o mais poderoso catalisador para a criação e propagação de um viral.

Um viral é uma percepção coletiva em comum, rápida e amplamente difundida. Em termos mais simples, um viral é um sucesso cultural.

Pode ser espontâneo, como o “haja o que hajar”, ou o famoso Harlen Shake, a ex-famosa Luísa, que está no Canadá ou, agora, “o ataque dos tomates”, que por conta do aumento abusivo dos preços tornou-se o viral da vez:
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Hoje, o grande sonho das agências de marketing é criar uma peça publicitária com as características de um viral, explorando as redes sociais e aumentando exponencialmente a visualização da marca e de seus produtos. E isso não é nada fácil.

Em regra, o viral é absolutamente espontâneo, gerado de forma despretensiosa e sem fins comerciais. Criar um viral deliberadamente é quase uma arte.

Voltemos à pergunta: o que faz um viral?

Resposta: bom-humor, em regra, espontaneidade, adesão maciça do público e sorte – quando é espontâneo – ou muita sensibilidade – quando é deliberado.

Um verdadeiro exemplo de bom uso do marketing digital no twitter: Rafinha Bastos x Hotel Mercure

Hoje, navegando pela net, em meio ao furacão do Exame de Ordem, vi uma notícia sobre um comentário do humorista (?) Rafinha Bastos no twitter, fazendo gracinha com o nome do Hotel Mercure e o homossexualismo recém-assumido da cantora Daniela Mercury.

twitter.com/rafinhabastos

 

Teria sido mais uma piadinha (?) com humor (?) sempre peculiar do comediante (?), não fosse a grande sacada da equipe de marketing digital do Hotel Mercure.

O comentário repercutiu rapidamente na rede, assim como a resposta do Hotel às provocações.

Rafinha Bastos leva fora após fazer piada com Daniela, Freddie e hotel
“Aqui respeitamos a diversidade” diz hotel Mercure em resposta a Rafinha Bastos
Perfil oficial do Mercure rebate piada de Rafinha Bastos

Vejam a brilhante resposta do Hotel Mercure:

twitter.com/HoteisMercure
twitter.com/HoteisMercure

 

Não satisfeito com o “fora”, o humorista (?) não deu o braço a torcer… e nem o Hotel. Veja a tréplica ainda mais sensacional do pessoal do Hotel no twitter.

twitter.com/HoteisMercure
twitter.com/HoteisMercure

 

Dizem que, pior que um perdedor, só um mau perdedor.

Pois é.

O homem não conseguiu deixar quieto a história.

E continuou:

twitter.com/rafinhabastos

 

O link desse último tweet dele remete a uma publicação em sua página no Facebook.

https://www.facebook.com/rafinhabastos/posts/447771705302616

Eis aqui um print da tal publicação:

facebook.com/rafinhabastos
facebook.com/rafinhabastos

 

Basta ler para saber o que significa a expressão:

“Apelou, perdeu”.

Ou então:

“Não sabe brincar, não desce pro play”

🙂 🙂 🙂 🙂

Procurando emprego? Cuidado com o “curtir” no facebook

A Folha online publicou, hoje cedo, uma notícia interessante:

‘Curtir’ expõe personalidade oculta de usuário do Facebook.

A notícia gira em torno de uma pesquisa de cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) que analisaram 58 mil usuários do Facebook com o objetivo de prever traços de personalidade (e outras informações que os perfis públicos não revelam) baseado somente nas opções de “curtir”.

O grau de precisão do algoritmo desenvolvido em modelos matemáticos revelou resultados espantosos:

  • 88% de acertos, quanto às preferências sexuais de homens.
  • 95%, quanto à raça.
  • 80%, quanto às opções religiosas e políticas.

O tipo de personalidade e a estabilidade emocional também tiveram acertos com precisão entre 62% e 75%.

David Stillwell

E o mais surpreendente: tudo baseado em opções “curtir” com configuração de privacidade pública. Vejam o que disse um dos autores do projeto, Dr. David Stillwell:

É fácil clicar no botão “curtir”. É sedutor. Mas você não percebe que, anos depois, os “curtir” são armazenados contra você.

Acendeu aí o sinal amarelo? Com toda certeza!

Isso é extremamente preocupante. Navegar pelas redes sociais não é mais uma simples brincadeira. O grau de fidelidade das informações que nós mesmos expomos inocentemente ao mundo pode nos comprometer pessoal ou mesmo profissionalmente!

Duvidam disso? Vamos ver se vocês se identificam com uma das conclusões do estudo, segundo Stillwell:

[Pessoas que curtem] batatas fritas correlacionadas com grande inteligência e pessoas que gostam do Cavaleiro das Trevas tendem a ter menos amigos do Facebook.

Será verdade? Pelos graus de precisão do estudo, as chances dessa conclusão ser verdadeira estão entre 60 e 75%… Bem, eu não sou muito fã do Batman, mas adoro batata-frita…

E o que dizer de outros dados mais sensíveis?

Fiz um teste aqui hoje no meu facebook. Acessei o perfil de uma procuradora da república. Não vou citar o nome para preservá-la de curiosos. Tem milhares de amigos. Eu não estou entre eles. Ou seja, não tenho acesso às informações mais reservadas de seu perfil Mas, com base nos dados públicos de “curtir”, que não são poucos (ela já curtiu mais de 700 opções de páginas, músicas, livros, times de futebol e personalidades que admira), consegui extrair alguma coisa dessa pessoa.

Fuçando com mais calma, identifiquei, nessa importante figura pública, algumas preferências pessoais. Por exemplo: já sei que:

  • Ela simpatiza com a proteção de animais (particularmente gatos);
  • É torcedora do Fluminense;
  • É apoiadora de campanhas contra o aborto;
  • É devota de Nossa Senhora das Graças;
  • E tem uma sensibilidade muito apurada para campanhas contra o câncer (principalmente em mulheres e crianças).

Claro que tudo não passa de suposição minha. Não sou pesquisador, nem cientista. Mas a quantidade de opções “curtir” publicamente disponíveis para um desafeto mal intenecionado (afinal, ela é membro do Ministério Público Federal!) ou um especialista digital em mercado de consumo pode render um perfil com informações úteis para qualquer finalidade que se queira.

Nesse ponto é que chamamos a atenção para a forma como você se expõe e como isso pode afetar sua carreira profissional.

Não é de hoje que as empresas e os especialistas em RH estão de olho nos seus dados pessoais e profissionais. Vejam essas notícias e concluam por si mesmos:

Exame.com

Como o seu perfil do Facebook pode ser avaliado em entrevistas de trabalho

Entrevistadores pedem senha do Facebook aos candidatos

Redes sociais podem influenciar na entrevista de emprego

Redes Sociais x Emprego: como não causar má impressão

Fácil ver que não tem mais jeito:

O que você faz nas redes sociais repercute sobre o que e como você viverá no mundo real.

E não é só o botão “curtir” que preocupa. Muitas pessoas não sabem que muitas informações pessoais, compartilhamentos e atualizações de status no Facebook podem estar sendo feitas publicamente, para qualquer um ver (e seguir) à vontade.

Por isso, cuidado com o que você faz na internet. De repente, curtir a página da Pepsi pode impedir que você seja contratado na Coca-Cola! 🙂 🙂 🙂 🙂

Aproveito a deixa para sugerir uma releitura nas dicas de privacidade que estamos publicando no Blog. Abraços a todos!

7 dicas para proteger sua privacidade no Facebook