Easy Taxi e os aplicativos de taxi: vantagens e perigos. Como usá-los com segurança?

Recentemente, fiquei “desmotorizado” por algumas semanas e optei por utilizar, com certa frequência, um dos muitos aplicativos de taxi disponíveis no Brasil: o Easy Taxi. Já tinha conhecimento da confiabilidade dessas empresas que unem a tecnologia mobile à prestação de serviços “reais” de transporte de passageiros, mas nunca os tinha utilizado. A atenção para esse mercado ganhou ainda mais destaque no noticiário após a polêmica com o Uber, que foi até parar na Justiça (mas já foi resolvido!). Enfim, resolvi por à prova esse tipo de serviço. A partir dessa minha experiência pessoal, compartilho as primeiras impressões, entre elogios e críticas, mas, sobretudo, focado nos cuidados de que o usuário do app precisar se cercar, uma vez que o serviço é falível tanto quanto à segurança do usuário e passageiro como pela própria eficiência).

O que é o Easy Taxi e para que serve

O Easy Taxi é um serviço desenvolvido e ofertado pela empresa que leva esse mesmo nome através de um aplicativo para dispositivos móveis (smartphones e tablets) conectados à internet e à rede de serviço móvel celular. Para que possa ser utilizado, é preciso baixar e instalar o app em uma das lojas virtuais das fabricantes dos aparelhos ou dos seus sistemas operacionais, além de se cadastrar informando alguns dados pessoais. A partir daí, o serviço torna-se disponível e o usuário já pode dele fazer uso, bastando alguns cliques ou toques na tela.

Essa é uma explicação bem resumida, mas ninguém melhor do que a própria empresa para definir o que é e para que serve o Easy Taxi. Em seu Termo de Uso, constam algumas cláusulas bastante compreensíveis que definem claramente o aplicativo:

1.1. EASYTAXI: é um dos maiores aplicativos de serviço mobile do mundo, que permite a conexão entre TAXISTAS e PASSAGEIROS, possibilitando uma corrida rápida, conveniente e cômoda, em apenas alguns toques.

2.1 O APLICATIVO consiste em um serviço especializado com o objetivo de otimizar a contratação de um serviço de táxi, não vinculado a qualquer associação de taxistas ou motoristas de táxi, sendo a EASYTAXI apenas uma prestadora de serviço de agendamento/facilitação de corridas de táxi entre PASSAGEIROS e TAXISTAS cadastrados pela EASYTAXI. Por meio deste sistema a EASYTAXI permite que, de forma inteiramente gratuita, um PASSAGEIRO se cadastre e localize os TAXISTAS mais próximos para solicitar a prestação dos serviços de forma mais eficiente do que antes convencionalmente existia. O TAXISTA, por sua vez, pode se cadastrar no APLICATIVO no campo Taxista, ficando pendente de avaliação especializada da EASYTAXI e da entrega da documentação necessária para o cadastro no sistema.

Bem simples, não? E realmente é. Não tem segredo: basta baixar, instalar, cadastrar-se e começar a usar. É um “agenciador” de táxi. funciona como as centrais de radiotáxi, só que totalmente digital e sem intermediação humana. Mas, como toda ferramenta, é importante tomar algumas precauções…

 Como funciona o sistema

Como disse antes, é simples: baixou, instalou, cadastrou-se? Agora é só utilizar. Aqui, neste link direto no site da empresa, o usuário tem um resumo gráfico de como funciona o app.

Ao abrir o app no celular, a tela inicial é justamente um mapa apontando a sua localização, já com uma sugestão de endereço para enviar ao taxista. Se não estiver preciso, você pode editar o endereço e complementar (ou substituir) as informações. O mapa também mostra os taxistas mais próximos. Basta acionar o botão para pedir um táxi. De todas as vezes em que usei, a resposta do taxista não demorou mais que 5 minutos! Na média, podemos arriscar 2-3 minutos. Claro que isso dependerá de quão popular é o serviço na sua cidade. Aqui, em Brasília, está crescendo bastante e se popularizando cada vez mais – o que significa dizer mais e mais taxistas aderindo à ideia.

Confirmada a corrida pelo taxista, o usuário recebe algumas informações sobre quem é o prestador do serviço, com nome, foto, telefone, tipo de veículo (modelo) e placa. Pode, também, se comunicar pelo app com ele, através de um número limitado de frases pré-cadastradas ou via SMS. Pode, inclusive, ligar para o taxista. A partir daí, é possível acompanhar o tempo estimado para chegada do carro e, até mesmo, acompanhar em tempo real o deslocamento do taxista. Assim que o motorista chega, o usuário recebe um aviso no celular e a tela muda, já para que ele avise ao sistema que embarcou no veículo. Ao fim da corrida, o taxista envia uma cobrança via app, o passageiro recebe, confirma valores e efetua o pagamento. Poder ser em dinheiro ou cartão de crédito.

Muito, mas MUITO prático. Em 100% das minhas experiência com o app, o taxista chegou ANTES do esperado. Algo incrivelmente surpreendente.

Mas nem tudo são flores…

Cuidados  e dicas de segurança

O Easy Taxi é uma empresa das gigantes digitais. Baseia seu sistema no principal pilar da relação de consumo de serviços: credibilidade e confiabilidade.

Por isso, logo que desembarcou em terra brazilis, a empresa, uma start up, comunicou novo aporte de investimentos, com foco na expansão para outros países e cidades brasileiras, além de desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e segurança do usuário.

E por que tanta preocupação com segurança?

Ora, parece óbvia a resposta: ao mesmo tempo em que o sistema é prático e fácil para um passageiro se cadastrar, ele tem de ser prático, mas nem tão fácil assim, para um taxista conseguir a licença de uso como prestador de serviço. Isso porque a exposição do passageiro, ao entrar em um veículo de um desconhecido acionado pela internet, é muito grande. Assim, para que a empresa se torne confiável, são necessárias diversas medidas de segurança, como a investigação e a comprovação de idoneidade dos taxistas. O sistema só funcionará bem quando o passageiro confiar que TODOS os taxistas que utilizam o app são pessoas confiáveis, profissionais habilitados, éticos e devidamente licenciados pelo Poder Público para prestar serviço de táxi.

E é aí que pode morar o perigo…

Minha segunda experiência com o Easy Taxi: crime de falsidade ideológica e a malandragem à brasileira.

Usei o app uma primeira vez e fiquei maravilhado com o sistema: rápido, preciso e digitalmente eficiente. Mas já na segunda vez, tive um problema que é exatamente uma das razões capazes de levar toda a credibilidade da empresa a ruir.

Era um domingo, Dia das Mães. Combinei com minha esposa que ela passaria o dia com sua família e eu, com a minha. Iríamos nos encontrar à noite, na casa de meus pais. Logo cedo, antes do almoço, solicitei um carro através do programa. Combinei de embarcar na entrada do Condomínio (#dicadesegurança). O taxista estava próximo e confirmou a corrida. Pela foto, era um senhor de meia-idade, cabelos grisalhos, sobrenome estrangeiro.

Em minutos, o carro chegou. Conseguiu entrar no Condomínio, apesar de eu não ter informado bloco do edifício, nem número de apartamento. Havia combinado de o encontrar na entrada, do lado de fora. Mas tudo bem, falha da segurança do prédio. O motorista avisou que já estava aguardando. Tentei ligar, mas não consegui. Avisei, por SMS, que estava do lado de fora, na entrada. Quando o carro aproximou-se, conformei o veículo e a placa (#dicadesegurança).

Acontece que o motorista era outra pessoa totalmente diferente. Um jovem, cabelo escuro, pele morena, que se identificou com outro nome. Perguntei quem ele era: “Este é o carro do Fulano; sou o Beltrano. Aluguei o carro para trabalhar no fim de semana”.

Fiquei com um pé atrás, mas embarquei (falha minha, risco meu). Normalmente, sento-me à frente, mas optei por sentar atrás (#dicadesegurança de novo). Informei o destino, mas, já desconfiado, apenas comuniquei a quadra e um ponto de referência para o desembarque próximo de onde eu realmente gostaria de ficar (#dicadesegurança).

E fui puxando papo com o motorista. Tentando arrancar dele o máximo de informações para entender aquela situação e descobrir, quem, afinal, estava me guiando. E foi aí que tive contato ao primeiro problema que demonstrava a falibilidade do sistema: o maucaratismo do taxista licenciado. O que o motorista confessou-me foi que ele “alugava” o táxi do verdadeiro dono (e real licenciado tanto pelo Easy Taxi como pelo Distrito Federal) sempre aos fins de semana: ou seja, aos sábados e domingos, o taxista ficava em casa e alugava seu carro e sua licença do Easy Taxi para esse jovem, que poderia usá-los à vontade.

Estava, portanto, diante de um típico caso de crime de falsidade ideológica, porque o tal motorista de fim de semana se passava pelo taxista licenciado pelo Easy Taxi para atender aos pedidos de serviço, apenas identificando-se ao primeiro contato (presencial) com o passageiro. Mesmo durante o contato digital, tudo levava a crer que o cidadão cadastrado no sistema era quem de fato iria me buscar.

Pior ainda: o malandro achou que eu não era de Brasília e tentou fazer um caminho absolutamente equivocado do trajeto normal para a casa de meus pais. Logo percebi quando ele pegou a entrada “por engano”. Exigi que fizesse um retorno e que fossem descontados os trechos decorrentes do erro do motorista.

Ao fim e a cabo, desembarquei cerca de 300 metros da casa de destino e segui o restante a pé.

Essa foi a primeira malandragem à brasileira que testemunhei.

Terceira experiência: confissões de desonestidades de um taxista honesto.

Quando usei pela terceira vez o app, estava já bastante desconfiado. Mas, como da primeira vez, o taxista era de fato a pessoa cadastrada no Easy Taxi.

Ao longo do percurso, porém, fui puxando papo e o taxista mencionou estar cadastrado em 5 apps de taxi, além de se valer do sistema de radiotaxi em que trabalhava. Para ele, era mais interessante usar o app do que a radiotaxi, por várias razões: o depósito do valor é mais rápido (24h a 48 h, dependendo do aplicativo), o desconto da tarifa para o taxista é menor e os apps aumentam bastante as oportunidades de corridas.

Mas, entre uma conversa e outra, falando justamente das maravilhas do aplicativo e do serviço, inclusive para eles, taxistas, eis que mencionei o problema que tive anteriormente. E fiz meu discurso: “quebra de confiança”, “perda de credibilidade”, “riscos para o serviço”, “todo mundo perde” etc. E aí o taxista comentou que já lhe ocorreu outro episódio, mas a malandragem foi “ao contrário”:

Um passageiro, certa vez, pegou o taxi e seguiu viagem. Era funcionário de uma empresa. Ao final da corrida, o passageiro “ofereceu” ao taxista lançar um valor bem maior para a corrida e dividir a diferença do “excesso” com ele (uma espécie de troco indevido). Claro que o taxista honesto não topou, mas isso o fez pensar em como tem gente sem vergonha nesse mundo.

Diante dessas experiências, que, aliás, nunca tive com o serviço de taxi tradicional, resolvi publicar algumas dicas para ajudar o leitor a se prevenir e a usar o serviço com segurança.

Dicas: Como usar os apps de táxi com segurança

  • Dica nº 01 – Não utilize seu telefone celular pessoal.

Se possível, não cadastre o seu telefone celular pessoal. Isso, claro, limitará as formas de comunicação com o taxista, na medida em que vai lhe tirar a capacidade de trocar SMS ou mesmo de receber ligações do taxista. Mas, como o sistema permite a troca de mensagens pré-gravadas que podem ser suficientes, essa medida (drástica) poderá lhe oferecer menos riscos.

  • Dica nº 02 – Combine o embarque próximo de onde mora.

Se você morar em um Condomínio, é mais fácil. Basta combinar o embarque na portaria do edifício. Ou, ainda, se mesmo o nome do Condomínio ou Edifício for expositivo demais para seu gosto, combine o embarque em um ponto próximo (um comércio, ou o prédio de frente). Isso ajudará a evitar “visitas” indesejadas no futuro. O mesmo vale para quem mora em casa.

  • Dica nº 03 – SEMPRE confirme o carro e o motorista.

Sempre que um taxista atende seu chamado, o aplicativo mostra sua ficha cadastral, com foto, telefone, marca e modelo de carro e placa. Para sua segurança pessoal, SEMPRE confirme todos esses itens ANTES de embarcar. Em caso de discrepância, não se arrisque. Mesmo que o taxista venha com mil e uma desculpas. Afinal, é a sua integridade física (e patrimonial) que está em jogo.

  • Dica nº 04 – Sente-se no banco de trás.

Confirmada a identidade e o carro, provavelmente tudo correrá bem. Porém, você ainda não sabe o que pode ocorrer. Não é como um serviço de radiotaxi, em que uma central monitora a sua corrida ou o taxista. Como é tudo via app, de forma automatizada, não há ninguém além de você e o taxista. Por isso, opte sempre por sentar-se no banco de trás. Dessa maneira, você fica livre para usar o celular e até mesmo, no caso extremo, pedir socorro. Afinal, nunca se sabe…

  • Dica nº 05 – Desembarque em um ponto próximo do destino.

Assim como sugerimos o embarque em local impreciso, o desembarque segue a mesma lógica: evitar que o taxista conheça os endereços em que poderá lhe encontrar futuramente. Portanto, melhor desembarcar em um comércio próximo ou no prédio ao lado. Não custa nada essa caminhada…

Conclusão

Claro que essas dicas são para pessoas muito desconfiadas (como eu). Mas, em matéria de segurança pessoal, não é bom brincar. Há muitos, mas muitos casos de desvios de conduta e assédio contra passageiros, especialmente passageiras.

Há relatos até de clientes/passageiros assediando taxistas!

Enfim, melhor prevenir do que remediar!

Bons passeios!

2 opiniões sobre “Easy Taxi e os aplicativos de taxi: vantagens e perigos. Como usá-los com segurança?”

  1. SOU TAXISTA. PEGUEI UMA CORRIDA NO APLICATIVO EASY TÁXI DO CENTRO DA CIDADE(RJ) PARA CAMPO GRANDE. CIENTE DOS 30% DE DESCONTO NA BANDEIRA 1 APÓS AS 21HS. A CORRIDA NA BANDEIRA 2 DEU R$177,00 E NO TAXÍMETRO (VIRTUAL) DEU R$91,00 . UMA DIFERENÇA DE R$83,00 . DESSES R$91,00( DA BANDEIRA 1)EU AINDA PERDI 12,09% QUE CAIU PARA R$84,00 . OU SEJA, DE R$94,00 CAIU PARA R$84,00 . GOSTARIA DE SABER SE ESSAS TAXAS ES~TÃO ESTABELECIDAS PELO BANCO CENTRAL, UMA VEZ QUE ESTOU ME SENTINDO”LESADO”. INDEPENDENTE DE EU TER ESCOLHIDO A OPÇÃO”DESCONTO”, A TAXA DE 12,9% ESTÁ CORRETA?

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    1. Caro Luiz, estive um pouco ausente. Desculpe. Mas essas taxas não são financeiras, o que de fato obrigaria uma supervisão do Banco Central. São tarifas contratuais do aplicativo, que ele impõe a vocês.

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