O monitoramento digital de e-mail pelo empregador configura crime?

(Artigo originalmente publicado no Portal Crimes pela Internet, em 06/04/2015.)

Recentemente, a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação de uma empresa de call center em R$ 5 mil por danos morais a uma operadora de telemarketing por ter invadido seu e-mail e mensagens pessoais.

Segundo notícia publicada no site da Corte trabalhista, a supervisora da funcionária aproveitou-se de sua ausência no posto de trabalho e determinou a um técnico em informática que acessasse o computador em que a empregada operava, tendo, assim, lido o conteúdo de mensagens pessoais em sua conta particular de e-mail e da rede social Facebook. Não satisfeita, a supervisora teceu comentários sobre o conteúdo das mensagens e também a respeito da funcionária e do colega com quem se comunicava na mesma rede social, submetendo-os a situação vexatória.

O Tribunal, firme em sua jurisprudência, tem se posicionado com cautela diante do uso de ferramentas corporativas digitais com desvio de finalidade. Há um entendimento – predominante – no sentido de que o sigilo de correspondência, direito consagrado como fundamental no art. 5º, inc. XII, da Constituição Federal, pode ser flexibilizado em determinados (e muito específicos) casos.

O TST, de fato, interpreta que é imprescindível que haja ao menos duas situações concomitantes capazes de autorizar a mitigação da inviolabilidade da privacidade de mensagem eletrônica do funcionário, insertas no chamado poder diretivo do empregador.

Monitorar computador de funcionário é crime? O que diz a lei?

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