Ingredientes para um linchamento digital: um perfil público no facebook e o anúncio de um crime confessado

Hoje, ao navegar pelo site de um jornal local aqui de Brasília, li a notícia de que usuários do Facebook haviam conseguido localizar o perfil social do suspeito de assassinar uma professora de 37 anos em um parque no centro da cidade.

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A reportagem dava notícia de que usuários da rede social localizaram e estariam acessando o perfil do homem que confessou ter matado a pedagoga, aproveitando-se das brechas das configurações de privacidade do próprio perfil para se manifestarem online expondo todo seu repúdio pelo crime que abalou a Capital federal neste feriado de Páscoa.

Correiobraziliense.com.br

Movido pela curiosidade, acessei o perfil simplesmente buscando pelo nome que aparece na imagem do perfil disponibilizada pela reportagem.

Uma vez na página do suspeito, era possível navegar por um sem-número de fotos e atualizações de status com configuração de privacidade no modo tela08.

A exposição de eventos, passagens e registros fotográficos que o usuário suspeito do crime deixou abertos a qualquer um é impressionante. Tal a quantidade de registros públicos que não seria exagero assumir que o usuário não tinha muita preocupação em esconder o que fazia ou pensava…

Mas o que me chamou a atenção não foi o descuido (proposital ou não, quem sabe?) do usuário. Vi, em sua página, muitos amigos e parentes expostos ao furor da sociedade.

Uma foto, em particular, em que aparece uma senhora que todos deduziam ser mãe do suspeito foi a que mais me incomodou… Não vi nenhum comentário desrespeitoso a ela, mas havia muitos registros de “pena por ter um filho desse”, como disse um outro usuário revoltado, além de outras frases nessa linha.

E não vi limites: a linguagem era pesada. A comoção social muito forte diante de um crime bárbaro desse gera as reações mais desinibidas possíveis.

Outra atualização de status que me chamou a atenção: uma amiga do suspeito tentou sair em sua defesa mencionando que o crime teria sido um “deslize” do suspeito. Mas outros usuários não perdoaram o “deslize” da defensora e saíram em confrontos verbais com a moça. Os comentários abaixo são apenas um trecho da conversa, que era pública até o Facebook retirar a página do usuário do ar:

Comentários no facebook

Enquanto eu escrevia esse post, mantive a página aberta do perfil em meu navegador para fazer uma análise, mas, antes mesmo de a terminar, a página saiu do ar.

Enfim, quem viu viu. Quem não viu não vai ver mais.

O episódio, para a temática de nosso Blog, serve, apenas e mais uma vez, como alerta. Mesmo porque, nas redes sociais, a interconectividade não somente nos expõe como indivíduos, mas, também, como membros de uma “rede” e, por isso, acaba por expor nossos amigos e parentes com quem interagimos no mundo virtual.

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