Entre o luxo e a eficiência: o sonho de ter uma boa workstation

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A foto acima é da minha workstation: teclado e mouse wi-fi e duas telas de 40 polegadas operando em um mesmo ambiente do sistema operacional, ambas a uma boa distância dos olhos. Os antebraços ficam confortavelmente escorados em uma mesa larga, aliviando as tensões nos braços e a musculatura envolvida na digitação.

Sonho de consumo pessoal realizado!

Exagero?

Eis o ponto!

Qual o limite para se montar uma workstation que satisfaça as necessidades do usuário SEM ser exagerado?

Hoje, ao menos nos grandes escritórios, é difícil ver um estação de trabalho que não tenha duas telas disponibilizadas para o usuário. Uma aberta no editor de texto e outra liberada para pesquisa e navegação na web.

Isso tem uma razão de ser de fácil explicação: produtividade.

Eu, quando trabalho, mantenho ao menos 5 programas diferentes em aberto (navegador, tweetdeck, word, skype e paintbrush), afora, no mínimo, 10 abas diferentes abertas do navegador. Curiosamente, a gestão das informações, que aparentemente parece ser impossível de conciliar entre tantos aplicativos, é relativamente fácil de ser conduzida. Com duas telas, mais ainda.

A lógica envolvida aqui é a da eficiência e de seu retorno em face do investimento a ser realizado para se estruturar uma workstation “turbinada”. Pode parecer exagero, mas cogito incorporar uma 3ª tela e com ela aumentar ainda mais a eficiência do meu trabalho.

E essa é a baliza!

Montar um workstation mais sofisticado deve levar em conta o volume de informações com que o operador do Direito lida e, concomitantemente, o volume de trabalho diário. Volume de informações guarda correlação com sua pesquisa, volume de trabalho com as petições, pareceres e textos a serem produzidos e a quantidade de diferentes fontes a serem pesquisadas.

E nós sabemos hoje que a internet é a fonte primária de pesquisa jurídica. E não só de pesquisa, mas também de interação com os mais diferentes tribunais. Gostem ou não, mas o processo físico, os autos processuais, são peças em via de extinção. Mais 3 ou 4 anos, arrisco dizer, tudo será digital (lembrem-se de que o Facebook pegou mesmo no Brasil há cerca de 2-3 anos, e a internet, propriamente dita, de meados da década de 90 para cá; portanto, falar em 3 ou 4 anos de “cronologia digital” é como falar em décadas para a realidade da linha de tempo humana).

Foto: Nelson Jr./ STF
Veja Online

Hoje ter uma workstation dotada de mais recursos não é mais um luxo: é uma necessidade do ofício para muitos. O profissional da advocacia (do Direito, de um modo geral) precisa de soluções tecnológicas adequadas para uma interação digital mais profunda relacionada com o exercício do jus postulandi.

Falo aqui de um acréscimo óbvio de produtividade e, mais além, de uma necessidade operacional, uma vez que o processo eletrônico está aí.

O “X” da questão está na redução da perda de foco durante o processo de produção. Com o aumento do número de telas (partindo de duas e indo até três ou quatro) a alternância no número de janelas do navegador ou no uso de programas é reduzida de forma substancial, e o processo criativo (e peticionar é um processo essencialmente criativo!) sofrerá menos interrupções, redundando também um melhor aproveitamento do fluxo de ideias e a manutenção por mais tempo da concentração e do foco. A exigência de trocar de a imagem da tela (seja programa ou aba de navegador) para buscar qual a informação necessária no momento é menor e a interação com a interface de trabalho não se sobreporá ao conteúdo do trabalho em si – a essência daquilo que o operador do Direito precisa desincumbir.

E afirmar isso não é nenhuma novidade. Há um artigo do site Coding Horror – programming and human factors que trata do uso de duas telas para se trabalhar publicado há 9 (!) anos atrás.

Em 2006, o jornal The New York Times publicou uma reportagem, segundo o site Life Hacker, dando conta de que a produtividade aumentava de 20 a 30% com o acrescimento do 2º monitor.

As vantagens são manifestas!

E o custo disso?

Ter dois monitores, um desktop (me perdoem os usuários de tablets e laptops, mas o desktop é insubstituível quando o assunto é trabalho), uma placa de vídeo, mouse e teclado wi-fi, de qualidade, custa algo que vai dos 4 aos 6 mil reais, sendo que o tamanho e o tipo dos monitores é que implicarão em um maior valor real.

Não raro, como é o caso da minha workstation, telas de TV acabam substituindo os monitores tradicionais, com um acréscimo sensível de informações para o campo visual, redundando em mais conforto e menos problemas de visão (falo isso com conhecimento de causa, empírico).

O workstation acima custou 10 mil reais, com caixas de som completas, impressora, mouse e teclado wi-fi, 2 telas Sony Bravia de 40 polegadas, o roteador, computador e placa de vídeo. Como se trata de um investimento de longo prazo, o custo final acaba sendo diluído no tempo. A cada dois anos bastará trocar o computador por um mais moderno. Os demais periféricos podem ser usados por muito mais tempo, representando uma economia no longo prazo e o aproveito do correlato conforto proporcionado.

Em suma, a questão do custo X benefício se justifica tanto no curto prazo (qualidade de trabalho e de vida) como no longo (aumento da produtividade no trabalho e redução marginal de custos com hardware).

Não se trata mais de um luxo, e, sim, de produtividade e enquadramento na nova realidade determinada pela digitalização dos processos produtivos e cognitivos no Brasil.

De uma forma ou de outra, mais cedo do que tarde, o operador do Direito terá de se conformar a esta realidade.

Aliás, falando em luxo, meu sonho mesmo era ter uma workstation como a da foto abaixo:

Emperor Workstation
LikeCool

…aí sim eu diria que o esquema seria profissional!

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