[TUTORIAL] Protegendo suas informações pessoais no facebook

A primeira vez em que você acessa o site www.facebook.com, você se depara com uma tela que faz um convite:

Cadastre-se. É gratuito e sempre será.

Para isso, basta que você, já de início, forneça alguns dados pessoais ao sistema e cadastre uma senha de acesso.

  • Nome;
  • Sobrenome;
  • Email;
  • Data de aniversário; e
  • Sexo.

Preenchidos os dados, o Facebook encaminha o usuário a uma tela em que avisa que um email de confirmação foi remetido para continuidade do cadastro.

Uma vez tudo resolvido, o maravilhoso mundo do Facebook se abre para você.

Bem, aí começam os problemas.

A maioria das pessoas simplesmente sai preenchendo o máximo de dados como forma de facilitar a identificação perante a comunidade. Revela-se onde trabalha, com quem está casado(a) ou namorando, quem é seu pai, mãe e primos, onde estuda etc.

Tudo bem. Você tem essa vontade incontrolável de dizer para as pessoas quem você é e o que você faz na vida. Mas nem tudo precisa estar disponível para todos.

Pois esse é o tópico que inspirou nossa primeira dica, justamente a mais importante: suas informações pessoais.

Você pode, sim, preencher tudo para o Facebook. Colocar todos os dados que o tornam essa pessoa única e singular no mundo que mamãe e papai fabricaram. Mas não precisa expor isso tudo a todos e a qualquer um.

Vamos lá.

Em primeiro lugar, que tal saber como seu perfil aparece para todos os usuários do Facebook, mesmo aqueles que nem te conhecem?

Isso é fácil de se fazer.

Ao digitar seu nome de usuário e entrar no site, você é direcionado à página inicial da rede, que contém seu feed de notícias, informações sobre os grupos e páginas que você acompanha, entre outras coisas.

Clique diretamente sobre seu nome, ao lado de sua foto de perfil. Você será direcionado à página da sua linha do tempo.

Chegando lá, logo abaixo da sua capa, você enxerga basicamente dois botões:

  • “Atualizar informações” e
  • “Registro de atividades”.

Confira:

Se você observar bem, vai perceber que, ao lado do botão “Registro de atividades“, há um ícone com formato de uma pequena engrenagem e, à sua direita, uma seta apontando para baixo.

Clique nessa seta e um menu com algumas opções se abrirá para você.

  • Ver como…
  • Configurações da linha do tempo; e
  • Adicione um atalho ao seu site.

Escolha com o mouse a opção “Ver como…” e clique nela:

tela03

Assim que o fizer, o sistema o redirecionará para sua linha do tempo tal como ela aparece publicamente. Ou seja, mesmo quem não for seu amigo no Facebook verá aquilo que estiver sendo exibido nessa tela.

Note que, na parte de cima da imagem de capa da tela, aparece uma barra translúcida onde se lê:

tela04

Esse aviso serve para mostrar que uma simulação está em curso e identifica qual a configuração atual de visualização da sua linha do tempo. No caso, tudo o que aparece ali para você é o que está sendo exibido publicamente no seu perfil, pois está registrado lá como “Público“.

Confira o exemplo da minha tela nesse modelo. Isso aí abaixo é como o público em geral enxerga meu perfil:

tela05

Nesse modo público de simulação, você pode clicar em qualquer dos links e continuará a ver o que qualquer pessoa acessa em sua página pública.

Experimente clicar no link “Sobre“.

Você vai observar que a barra de aviso continuará lá alertando para aquele modo de visualização. Nesse espaço “Sobre“, você verá informações pessoais disponíveis a QUALQUER UM. Portanto, se tem algo ali que você não gostaria que fosse revelado, prepare-se para aprender a “ocultar” esses dados do público bisbilhoteiro.

Clique no botão que tem um X nessa barra translúcida. Você retornará à sua linha do tempo normal.

Vamos, agora, dar início aos passos para “ocultação” de dados pessoais sensíveis. Lembre-se de que eles continuarão lá (se você não os apagar), mas somente visíveis a determinadas pessoas ou grupos de pessoas.

Clique novamente no link “Sobre“.

Você verá uma tela com todas as informações sobre você. Alguns exemplos (do lado esquerdo da tela):

  • Trabalho e educação;
  • Residênecia;
  • Relacionamento;
  • Família.

Agora do lado direito da tela:

  • Histórico por ano;
  • Sobre você;
  • Informações básicas;
  • Informações de contato;
  • Citações favoritas.

Se você reparar bem, vai ver que, em todas essas seções, há um botão tela06.

Escolha os dados que quer proteger ou atualizar e clique no botão correspondente.

Você vai ter a opção de atualizar ou preencher os campos de dados daquela área. Mais à direita, vai ver também um ícone seguido de uma seta apontando para baixo. Esse ícone revela qual tipo de configuração de privacidade que você atribuiu àquela informação. São elas:

tela07

Observe bem esses ícones, pois eles estão presentes a cada dado registrado por você ou por amigos no Facebook em todo lugar. As legendas querem dizer o seguinte, respectivamente:

  • Se você quer que a informação fique disponível para qualquer um que acessar o seu perfil, deixe-a em tela08
  • Se quer quer fique disponível somente para seus amigos, classifique-a em tela09
  • Se você quer que somente alguns de seus amigos – que você, ao adicionar, categorizou como “Conhecidos” – acesse aquele dado, opte por tela10
  • Se você quer manter o dado no sistema, mas só você podendo acessar, escolha a mais restritiva das opções: tela11
  • Caso queira escolher uma pessoa ou grupo de pessoas específcas para ver aquele dado (ou para não ver), clique em tela12

Atenção: ao escolher por tela12, você verá uma tela com as seguintes opções:

tela13

Nesse caso, você controla qual(quais) pessoa(s) quer que acesse(m) aquele dado. O limite é o ceu.

Voltanto às configurações de edição, além das opções acima, você também pode escolher uma listagem de amigos para acessar aquela área do seu perfil.

Por padrão, o Facebook oferce as listas:

  • Melhores amigos;
  • Família;
  • Ver todas as listas…

tela14

Escolha a lista de amigos para os quais quer deixar disponível aquela informação e assim será.

Faça todo esse procedimento com cada área de informação pessoal possível. Ao fazer isso com todas, você terá um controle total sobre tudo o que quer que cada tipo de usuário do facebook saiba a seu respeito.

Eu, particularmente, opto por proteger as informações mais íntimas, como membros de minha família que estão no face, meu status conjugal, cidade onde moro atualmente, histórico de locais onde trabalhei e onde trabalho e algumas informações de contato. E, mesmo assim, alguns dados estão configurados para ficarem visíveis para alguns grupos de amigos, sim, outros, não.

Prefiro assim. Mas vai ao gosto do freguês.

Agora, faça sua parte. Proteja-se!

Ah! Quase ia me esquecendo… Para testar como ficaram suas configurações, volte à tela inicial da sua linha do tempo, mais precisamente aqui:

tela03

Lembre-se de que você verá aquela barra acinzentada que simulará como as pessoas estariam vendo seu perfil:

tela04

Clique, dessa vez, onde se lê “Ver como uma pessoa específica“.

Nesse campo, você poderá digitar o nome de algum amigo seu e verá como ele estaria enxergando seus dados pessoais. Vou dar um exemplo. Digitando o nome do Maurício, que, atualmente, não tem nenhuma restrição nas minhas configurações de privacidade, o sistema mostra exatamente como ele acessa meus dados atualmente:

tela15

Caso ele estivesse em alguma categoria mais reservada, como os amigos “Conhecidos”, a tela mostraria menos informações, e assim sucessivamente, até atingir o grau mais reservado, que são os amigos “Restritos”. Para esses, só aparecem dados verdadeiramente públicos.

Mas você deve se lembrar de uma coisa: é você quem dita ao Facebook quais dados deverão ser exibidos e para quem.

Então é isso! 🙂

Espero que tenha ajudado.

Na semana que vem, trataremos de como preservar informações sobre seus relacionamentos com familiares e amorosos.

Abraços a todos e bom final de semana!

7 dicas para proteger sua privacidade no Facebook

O Facebook atingiu, em 4 de outubro de 2012, a marca de 1 bilhão de usuários ativos e cadastrados em seu sistema. Isso leva a crer que 1 a cada 7 pessoas no mundo está presente nessa rede. Um fenômeno social sem precedentes.

Somente na América do Sul, segundo levantamento do Social Bakers, aproximadamente 34% da população continental está curtindo ou compartilhando algum conteúdo com seus amigos. No Brasil, são cerca de 66 milhões de usuários cadastrados na rede social de Zuckerberg.

Em meio a esse oceano digital, esconder-se é cada vez mais difícil. Mesmo porque isso contraria, em princípio, a razão de ser do próprio Facebook: a exposição. Quem assistiu ao filme “A Rede Social”, que conta a suposta história por trás da criação do Facebook, deve se lembrar da cena em que os atores reunem-se no quarto de Zuckerberg e o vêem criar uma página com fotos de estudantes de universidades americanas, às quais os usuários deveriam comparar e avaliar atribuitos, fazendo uma escolha por sua “preferência”. Era o Facemash. Foi ali que Zuckerberg percebeu que a curiosidade das pessoas umas sobre as outras, aliada ao desejo de autoexposição, poderia ser explorada em uma nova ideia. Nasceu então o embrião do Facebook.

Hoje, um negócio bilionário. Um serviço gratuito que fatura justamente sobre a boa-fé das pessoas em entregar, de mãos beijadas, aos donos do Facebook, algumas de suas mais valiosas informações pessoais: nome, parentesco, relacionamento social, profissional, amoroso, preferências pessoais, inclinação religiosa, tudo pode ser captado pelo simples cadastro e uso do Facebook.

Mas tudo isso tem um preço e o Facebook se declara isento dele: a superexposição. A rede social tem plena consciência de suas responsabilidades sobre a posse das informações pessoais de seus usuários. Para se eximir de qualquer problema, ela criou mecanismos de proteção à privacidade no próprio sistema e remeteu ao usuário a responsabildiade sobre seu uso.

Será que todo mundo sabe bem como usar esses recursos? Se não, seus problemas acabaram! 🙂

Apresentamos aqui 7 dicas valiosas para vocês proteger e resguardar sua intimidade no Facebook.

À medida que formos publicando as dicas, vamos atualizar esta página com os banires respectivos. Se preferir, favorite esta página em seu navegador.

Espero que gostem!

7 dicas para proteger sua privacidade no facebook

  1. Protegendo suas informações pessoais.
  2. Ocultando informações sobre relacionamento afetivo e de parentesco.
  3. Escondendo sua listagem de amigos no Facebook de curiosos.
  4. Controlando quem pode ver suas publicações e de terceiros no seu mural.
  5. Definindo quem pode procurar (e achar) você no facebook (e fora dele).
  6. Cuidando da privacidade de sua linha do tempo e de marcações.
  7. Fotos, videos, check in e atividades no seu mural: como proteger?

O uso pessoal de e-mail e redes sociais no ambiente de trabalho: problema ou solução?

O assunto não é novo e também não tem apresentado grandes controvérsias na Justiça Trabalhista. Estou falando do uso, por parte do empregado, de redes sociais e e-mails para finalidades estranhas ao ambiente de trabalho. (Confira essas decisões do TST: aqui, aqui, aqui e aqui).

De plano, é preciso delimitar um ponto importante: o uso do e-mail CORPORATIVO para fins PESSOAIS do empregado tem gerado demissões por justa causa. E a jurisprudência tem sido toda neste sentido.

Em matéria publicada nesta semana pelo Conjur, foi noticiada a demissão por justa causa de empregado que usou supostamente e-mail da empresa para atividades estranhas ao seu trabalho, durante o expediente.

Falo de “suposto uso indevido do e-mail corporativo” pelo fato de a sentença ser, nesse ponto, silente. Entretanto, vamos assumir ser esta a hipótese. Eis o trecho que importa dessa decisão:

sentença

É evidente que o email é uma ferramenta poderosa de comunicação digital. E, nesse sentido, tem tudo para maximizar a produtividade quando bem utilizado pelos funcionários de uma empresa. Hoje em dia, é praticamente inconcebível que alguém prefira se comunicar por telefone ou por carta, ou mesmo por fax, em ambiente profissional. Afinal, produtividade e eficiência caminham lado a lado!

Bem, a questão que agora se coloca é a seguinte:

O empregado pode ou não pode usar o e-mail da empresa para atividades estranhas ao seu trabalho? Se não pode, por que não?

As razões adotadas pelo Justiça do Trabalho, em síntese, são as seguintes:

1 – O e-mail corporativo é ferramenta de trabalho e o empregador é responsável pelo uso indevido do sistema informático.

A responsabilidade advém do art. 2º da CLT:

Art. 2º Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.

O risco da atividade econômica é do empregador. Logo, os atos de de seus empregados, no horário de expediente, valendo-se de instrumento de trabalho da empresa (no caso, o e-mail) são considerados atos de empresa. A distribuição hipotética de conteúdo relacionado à pornografia infantil, por exemplo, é um dos riscos possíveis pelo mau uso do e-mail. A ameaça à vida ou à integridade física de terceiro, feita por intermédio de e-mail corporativo, é outro exemplo. (Há um caso curioso na Justiça do Trabalho, em que um supervisor usou o email corporativo para chamar os subordinados de “eguinha pocotó”, mas não configurou assédio moral, nem ensejou danos morais, como queria o reclamante, porque só o teria feito uma vez. Confira aqui)

2 – O tempo de trabalho do empregado tem de ser posto a serviço do empregador (art. 4º, CLT) devendo corresponder às obrigações contraídas no contrato de trabalho e não podendo ser usado para atividades estranhas ao seu desiderato profissional.

Nesse ponto, ressalta-se que a devassa de um e-mail corporativo por um empregador não tem sido considerada uma violação da intimidade ou do sigilo de correspondência, tal como preceituam os incisos X e XII do artigo 5º da Constituição Federal, pois se entende que o e-mail corporativo é um instrumento de trabalho e, portanto, não está inserido na espera da proteção da vida pessoal e da intimidade do trabalhador.

Mesmo o uso de e-mail ou de perfis pessoais nas redes sociais (ou seja, não pertencentes à empresa) durante o horário de trabalho, em tese, poderiam, ainda assim, implicar em demissões por justa causa, seguindo aqui a lógica acima: o tempo durante o expediente deve ser destinado a atender aos interesses da empresa.

Essa é uma questão interessante e nunca foi tão atual, pois, com a mobilidade proporcionada por celulares e tablets, o acesso à internet ganhou portabilidade: qualquer um, a qualquer hora, pode “brincar” na net.

Basta aguçar o ouvido com os toques desses aparelhos ao seu redor: hoje qualquer aplicativo de smartphone tem o recurso das “notificações”. A todo momento, não é mais somente o barulhinho de toques de chamada do telefone que ouvimos por aí: agora, os celulares também avisam o seu dono de interações no Facebook, chegadas de mensagens via SMS, whatsapp, avisos de novos emails etc. Isso tudo só demonstra que a internet faz parte da realidade móvel das pessoas.

Vejam a dicotomia de entendimento sobre o uso pessoal da internet em ambiente corporativo:

2doitbetter

Empresas agem para reduzir uso de e-mail entre funcionários

Uso de redes sociais dentro da empresa ajuda a aguçar criatividade, diz especialista

As duas notícias acima trazem visões antagônicas em relação ao uso do e-mail e das redes sociais.

Enquanto a primeira notícia aborda a redução no número de e-mails enviados por empregado, gerando o ganho de um mês e meio de trabalho, a segunda trata do aumento na criatividade dos empregados que usam redes sociais e e-mail de forma responsável.

A visão é dicotômica e a escolha linear de uma ou outra alternativa depende de uma série de fatores.

Várias perguntas podem ser feitas visando achar a alternativa mais adequada:

  • Qual a atividade-fim da empresa ou daquele empregado especificamente?
  • O trabalho é medido por produtividade ou por inovação?
  • O foco do trabalho está no volume ou no resultado?

Não existe uma resposta pronta para esses questionamentos, em especial por conta das mais diferentes atividades profissionais e comerciais existentes.

Em um escritório de advocacia, por exemplo, penso ser absolutamente inconcebível que um operador do Direito não tenha acesso absoluto e irrestrito à internet e todas as suas ferramentas. Isso porque o trabalho pode ser facilmente mensurado, assim como o advogado também deve ser visto como um profissional da informação. E, hoje, a informação está na internet.

A questão é, na verdade, complexa.

A conformação da rotina de empregados aos interesses dos empregadores é um desafio que ultrapassa fronteiras e o tempo. Os processos produtivos sempre variaram conforme as tecnologias existentes em cada época, sobrevivendo sempre aquele que mais bem se adaptasse, inclusive na questão da gestão de recurso humano.

Oficina industrial inglesa
The Guardian

A Revolução Industrial do séc. XVIII gerou um modelo produtivo essencialmente baseado no binômio tempo x trabalho. Ou seja, quanto maior a jornada de trabalho, maiores os resultados. Não havia um processo cognitivo complexo vinculado à prática laboriosa. A atuação do trabalhador era mecanizada, frenética, repetitiva e… exaustiva.

Esse modelo pauta, ainda hoje, o trabalho comum, por mais arcaico que isso possa parecer. O trabalhador público ou privado, via de regra, tem um expediente a cumprir, com horário de início e término bem definidos e contratualmente (às vezes, legalmente) vinculados: deve entrar e sair em determinadas horas do dia, independentemente da natureza de seu trabalho (se intelectual ou não). Ou seja: trabalha-se como os funcionários fabris do século XVIII, mas se deve produzir como trabalhadores informacionais do século XXI.

Antagonismo puro.

Vivemos em uma sociedade onde o labor intelectual supera, em parâmetro sócio-econômico-cultural, o labor braçal. Os melhores e mais bem remunerados cargos são justamente aqueles mais intelectuais e menos físicos (exceção feita, no Brasil, à classe dos professores – INFELIZMENTE). Muito disso se deve a um processo histórico de dominação econômica, incorporado à estrutura social.

Independentemente de opiniões, essa é a realidade que temos. E surgem desse choque de modelos produtivos os conflitos trabalhistas da era digital.

Talvez, a solução para atender aos interesses das corporações – particularmente em um mundo high tech, onde o acesso à tecnologia de ponta tem-se tornado cada vez maior (inclusão digital é palavra de ordem hoje em dia) – dependa da capacidade de adaptação das rotinas produtivas contemporâneas de forma a conciliar o interesse pessoal e o interesse empresarial.

Exemplos bem sucedidos dessa mudança de mentalidade corporativa temos de sobra.

O caso mais notório é do Google. As imagens abaixo, que mostram a sede da empresa e funcionários em pleno horário de expediente, falam por si:

work at google

Parece um sonho, não? Mas é a realidade de empresas que souberam, como ninguém, entender a dinâmica de trabalho da sociedade da informação – onde o sucesso depende essencialmente da capacidade criativa e não da força laboriosa – e tirar proveito disso economicamente.

Não por acaso, o Google é umas das mais valiosas companhias do mundo.

Por isso, o uso do e-mail ou de redes socais para fins pessoais durante o horário de trabalho não deveria ser encarado como uma preocupação da empresa do século XXI, ou, respondendo à pergunta que formulei no início do post, um problema. Tampouco deveria a Justiça trabalhista reverberar essa mentalidade industrialista do séc. XVIII, pois tende a refrear a evolução do modelo produtivo, impactando, a longo prazo, a competitividade empresarial nacional, na medida em que estimula o engessamento da discussão sobre a necessidade de uma reformulação da relação trabalhista – algo fundamental e urgente para a sobrevivência empresarial na era digital.

Não devemos nos esquecer, ainda, de que a internet é mero instrumento da realização humana. Qual tem sido o comportamento jurisdicional quando o episódio envolve a telefonia celular? Ou a conversação pura e simples em horário de expediente? O mesmo.

A lei, é verdade, não desce à minúcia do fato da realidade. Ela prevê um comportamento hipotético e regula suas consequências, caso violada, conformando, assim, a conduta. Quem aproxima a lei do fato é o Judiciário. Não está dito na CLT que a internet é motivo de justa causa (mesmo porque, a CLT é de 1943). Tudo depende de interpretação do Poder Judiciário às circunstâncias do caso concreto e de como lhe aplicará a lei.

Ora, desídia ou indisciplina são manifestações de comportamento. O instrumento que as propicia é mero detalhe, pois sua realização depende da vontade (ou da falta dela) do trabalhador. Por outro lado, o empregador tem os chamados poder diretivo (poder de ordem ou de comando, de organização da atividade econômica de produção) e poder regulamentar (poder de fixar normas ou condições de trabalho), o que lhe faculta a criação de regras proibitivas de determinadas condutas (como navegar na internet, usar o MSN, Facebook etc.). É lícito? Sim. Mas não é, definitivamente, a solução.

Melhor seria se as empresas buscassem estimular o uso consciente e responsável da internet no ambiente de trabalho, revendo conceitos e filosofias ou mesmo estabelecendo formas de conciliação entre os interesses pessoais (que sempre existirão) e corporativos no uso das ferramentas profissionais à disposição do empregado ou mesmo na organização do seu tempo. E isso para ontem, pois a modernidade é irrefreável e o futuro já chegou.

Mesmo o Estado já tem buscado contemporizar o uso corporativo das novas tecnologias à realidade atual da relação trabalhista. Vejam essa recente alteração na CLT:

Lei nº 12.551/2011

Art. 1º O art. 6º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 6º Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego.

Parágrafo único. Os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio.” (NR)

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Claro está que a legislação já autoriza o entendimento de que o uso de celular ou email fora do horário de trabalho pode vir a caracterizar sobrejornada (hora extra), entre outros elementos da relação de emprego.

Aí, nesse caso, vale o ditado popular:

Pau que dá em Chico dá em Francisco.

Ora, se as novas tecnologias de comunicação são capazes de propiciar a penetração dos elementos da relação de trabalho no espaço (ou tempo) dedicado à vida pessoal do empregado, por que não o contrário? Em ambos os casos, há consequências (hora extra – em prejuízo da empresa – e demissão por justa causa – em prejuízo do trabalhador)

Enfim. as novas tecnologias estão aí. O capitalismo as massifica cada vez mais no mercado de consumo. O objetivo é “vender, vender, vender”. Segundo o IBGE, em 2011, 97% dos domicílios brasileiros tinham pelo menos um aparelho de TV. O número de celulares já supera a população brasileira, segundo pesquisa. Um outro estudo (FGV) informa que metade dos brasileiros já estão incluídos no mundo digital.

Não tem para onde correr… é como cantam os Engenheiros do Hawaii, “faz parte”.

Portanto, o uso pessoal dessas novas tecnologias e instrumentos digitais pode, realmente, representar às empresas (e a seus funcionários) um problema. Mas somente àquelas que não reformularem sua filosofia de trabalho produtivo.

Essas, sim, correm o risco de virarem dinossauros e, como a história já sentenciou uma vez, serem extintas.

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Grupo Anonymous divulga dados pessoais de Renan Calheiros no Twitter [Portal Imprensa]

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