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O Instagram e o submundo da pornografia “mobile”: o perigo compartilha ao lado

Em 3 de julho de 1995, a revista Time publicou matéria de capa em que alertou a sociedade norte-americana dos riscos da pornografia online para o público infantil lançando mão de uma chamada textual e graficamente muito forte:

Cyberporn: um novo estudo revela quão disseminado e selvagem ele realmente é. Podemos proteger nossas crianças – e a liberdade de expressão?

Crédito da capa: MATT MAHURIN

A matéria causou polêmica em vários sentidos, com acusações até mesmo de ter-se baseado em um estudo supostamente frágil, equivocado e metodologicamente incorreto e, ainda, de ter por motivação servir a interesses dos setores mais conservadores dos Estados Unidos. Resumidamente, a reportagem apresentava dados alarmantes, que foram (e continuam) sendo muito criticados, sobre o alto índice de conteúdo digital pornográfico disponível e livremente acessado e distribuído em fóruns de discussão da antiga rede Usenet.

Independentemente dos acertos ou erros cometidos pelo jornalista que assinou a matéria, o fato é que a polêmica em torno da reportagem tem um objeto de investigação extremamente importante: a pornografia online.

Existem diversos estudos a respeito do assunto, muitos deles inclinados à investigação da pedofilia online. No entanto, a velocidade das transformações tecnológicas de hardware e software não consegue ser alcançada pelo esforço de pesquisadores e cientistas. Dessa maneira, poucos são os que abordam a pornografia aplicada à plataforma das redes sociais. A maioria privilegia a web, por ser uma das interfaces mais clássicas da internet.

E isso é extremamente ruim, porque as redes sociais hoje correspondem a uma parcela muito significativa do tráfego de dados na internet. Segundo o Alexa, a mais confiável empresa que mede e elabora dados estatísticos da internet mundial, o Facebook é o 2º site mais acessado do mundo, atrás apenas do Google. Nas estatísticas voltadas ao Brasil, o feito se repete: a rede social só perde para o Google Brasil.

Mas, afinal, por que as pessoas acessam tanto as redes sociais? O que elas fazem? Como se comportam?

Seguramente, podemos afirmar que as ações mais comuns de um usuário de rede social são: visualizar conteúdo (textos, imagens e vídeos principalmente), compartilhar conteúdo e interagir com outros usuários (no caso do Facebook, por exemplo, curtir ou comentar).

Isso pode parecer insignificante diante das milhares de ações e comportamentos que o ser humano é capaz de produzir e executar diariamente, mas não é. As redes sociais estão afetando significativamente a cultura, a ciência, o conhecimento e o comportamento humanos.

Veja as imagens abaixo e tire suas próprias conclusões: são dois retratos de audiência em um show musical, separados por 20 anos entre si.

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Copyright: 123RF.com (esq) / amadarose.co.uk (dir). Fonte: kpcb.com

Outra imagem emblemática e mais recente, comparando dois momentos marcantes na história da sucessão papal:

A primeira foto mostra a passagem do corpo do papa João Paulo 2º, em 2005 – dois anos antes de o iPhone ser lançado no mundo. A segunda, a escolha do Papa Francisco, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, em março de 2013.Fonte: Uol. Copyright: disponível nas imagens.

As imagens falam por si.

Mas não é apenas em eventos e espetáculos públicos ou privados que percebemos a mudança comportamental e cultural baseada nas novas tecnologias. Com as redes sociais em alta, a própria internet (uma invenção relativamente recente da humanidade) também está deixando pouco a pouco de ser anônima e obscura para se tornar cada vez mais pessoal e explícita.

Através das redes sociais, o usuário mostra sua cara, revela quem é, do que gosta e o que faz. O indivíduo identificável vem, pouco a pouco, preenchendo o lugar do coletivo anônimo.

Vejam essa interessante charge publicada em 1993 e comparem-na a uma foto publicada no site Tumblr recentemente:

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Copyright: Peter Steiner, cartoonbank.com (esq) / cachorronocomputador.tumblr.com (dir). Fonte: kpcb.com

Essas informações, associadas a centenas de outras pesquisas, mostram a força e o poder e a influência sobre o comportamento digital humano que as redes sociais têm. E como um de seus objetivos é promover uma estrutura de superintegração entre plataformas diferentes, essa mesma lógica adapta-se perfeitamente a outras redes sociais menos “famosas” que o Facebook, como o próprio Instagram.

O levantamento do Alexa com relação a essa rede de imagens digitais é irrelevante: o Instagram ocupa a 231.858ª posição no ranking mundial de websites mais visitados. Ocorre que isso tem uma explicação: parcela mínima de usuários acessam o Instagram através da web e o Alexa somente monitora websites. O principal modo de entrada na rede são os aplicativos móveis – criados, desenvolvidos e disponibilizados nas lojas dos principais sistemas operacionais de celulares e tablets: iOS, Google Play, Blackberry Wordl e, em breve, Windows Phone.

As plataformas sociais digitais, aliás, têm sido o novo campo de investimento de desenvolvedores e empreendedores digitais.

Foi o que aconteceu com a rede social de fotos (e, agora, também de videos), mas não é somente aí: plataformas essencialmente baseadas em websites também têm investido nas plataformas móveis. Estudos mostram que cerca de 189 milhões de usuários do Facebook acessam a rede social exclusivamente do celular – e esse número só tem crescido. Esse dado é relevante, especialmente, se você considerar que o acesso móvel ao Facebook somente veio algum tempo depois de seu lançamento e, mesmo assim, timidamente no início, para, agora, conquistar espaço maior nos planos estratégicos da empresa.

instagram_statsPor outro lado, o Instagram (que trilhou caminho inverso, partindo da plataforma exclusivamente móvel para a interface na web) tem se mostrado uma empresa em franca ascensão. Em seu website oficial, revela que atingiu as seguintes marcas desde seu lançamento, em outubro de 2010:

  • Usuários ativos mensalmente: 150 milhões.
  • Total de fotos compartilhadas: 16 bilhões.
  • Média de fotos compartilhadas diariamente: 40 milhões.
  • Total de “curtidas” diárias desde o lançamento: 1,2 bilhão.
  • Total de “curtidas” por segundo desde o lançamento: 8,5 mil.
  • Total de comentário por segundo desde o lançamento: 1 mil.
  • Média de tempo mensalmente gasto por usuário na rede social: 257 minutos.

Logo se vê o potencial da empresa. Não por acaso, o Facebook comprou a rede social de fotos por US$ 1 bilhão.

Não resta, portanto, qualquer traço de dúvida da força e influência dessa rede social na internet.

E é aqui que reside nossa maior preocupação…

Podemos aferir com que frequência crianças e adolescentes têm acesso a sites pornográficos?

Existem, sim, pesquisas e estudos específicos para esse público online. Vamos ver, aqui, alguns dados mais sobre o comportamento digital de crianças.

Segundo levantamento da empresa Karpersky – desenvolvedor do mundialmente conhecido programa antivírus e de segurança online que leva o mesmo nome -, crianças tentam acessar sites de redes sociais quase duas vezes mais do que sites pornográficos. E esses sites são o nº 2 na lista das maiores tentativas de bular o controle parental. Segundo a empresa, o ranking mundial de tentativas de acesso por menores é:

  1. Redes sociais: 31,26%
  2. Sites pornográficos e eróticos: 16,83%
  3. Lojas online: 16,65%
  4. Foruns e salas de bate-papo: 8,09%
  5. Webmail: 7,39%
  6. Sites de pirataria e conteúdo ilegal: 3,77%
  7. Sites de jogos: 3,19%

No Brasil, as estatísticas espelham essa ordem de preferências: 22,34%, redes sociais; 18,91%, sites pornográficos; e 16,76%, lojas online. Observem, porém, que, no Brasil, a predileção por sites pornográficos praticamente empata com o interesse de acessar redes sociais.

STUDY: Kids Try To Access Social Networks Nearly Twice As Much As Porn Sites

Ainda assim, esses dados acima revelam apenas as tentativas de acesso em máquinas monitoradas pelo programa de controle parental da empresa Kaspersky. Por outro lado, existem levantamentos que revelam a alta frequência de acesso diários à pornografia online entre crianças e adolescentes.

Seguem trechos da reportagem abaixo:

“Na pesquisa, dois terços das crianças entre 11 e 13 anos já viram pornografia online, cerca de 30% desses via smartphone. Mas a frequência de acesso é menor do que adolescentes mais velhos – 59% disse que vê “raramente” e 9% afirma ter visto várias vezes ao dia. O índice entre os jovens de 13 a 17 anos sobre para quase 75%.

O percentual é semelhante (83%) aos que afirmam ter chegado a sites de conteúdo adulto forte por acidente.”Estamos profundamente preocupados que o acesso a esses vídeos hardcore e muitas vezes violentos esteja distorcendo a visão dos jovens do que é o comportamento normal ou aceitável. Isso leva a algumas pessoas copiarem ou imitarem os vídeos”, comenta Jon Brown, da NSPCC, organização britânica de proteção à crueldade contra as crianças.”

Estudo: jovens veem pornografia online de 2 a 3 vezes por dia

Enfim, não há como fugir dessa conclusão: a pornografia se revela, claramente, um dos principais interesses de conteúdo acessado por essa faixa etária de usuários online.

Isso, por si só, já deveria chamar a atenção de pais e professores, sobretudo pela necessidade de monitoramento digital desses usuários, especialmente se analisarmos os incontáveis estudos sobre os efeitos da pornografia na vida e no desenvolvimento psicológico e afetivo das pessoas. E são muitos…

Viciados em pornografia destroem confiança e vida sexual da parceira, diz estudo

Estudo diz que consumidores de pornografia são menos felizes

Pornografia na web pode causar impotência sexual, diz estudo

Mas não se iludam: eles sabem muito bem que você pode ou deve estar de olho no que fazem na internet, mesmo que o assunto não seja abertamente tratado em casa ou na escola. Isso se revela nas estatísticas de acesso às redes sociais preferidas por essa faixa etária.

Nesse contexto, o Facebook anida é a rede social mais acessada por crianças e adolescentes, mas sua “popularidade” entre eles parece estar sendo cada vez mais afetada – e para menor.

Segundo levantamento feito pela consultoria Piper Jaffrey, 23% dos adolescentes pesquisados em 2013 consideram o Facebook sua rede social preferida, contra 33% em 2012 – uma queda de 10 pontos percentuais em um ano. O estudo revela, também, quedas significativas em outras redes sociais, como o Youtube, o Google Plus e o Tumblr. No entanto, o Twitter mostrou uma “fuga” bem mais reduzida, enquanto Instagram e Pinterest demonstraram, respectivamente, estabilidade de acesso e até crescimento.

Copyright: pewinternet.org

Mas o que poderia estar causando essa “fuga” das principais redes sociais da internet por jovens e crianças?

Uma conclusão a que se pode chegar é justamente o fato de que esses usuários “mirins” têm uma boa noção de estarem acessando redes com maior número de instrumentos de controle parental e monitoramento de privacidade ou que demonstram uma elevada capacidade de receber e processar denúncias de violações comportamentais ou de conteúdo em suas páginas.

E eles não querem isso. Não querem ser monitorados. Querem privacidade total sobre o que estão fazendo e com quem estão fazendo.

Em um artigo muito interessante, Tom Treanor apresenta conclusões relacionadas a esse fenômenos. Resumidamente, são as seguintes:

  • Para norte-americanos do Facebook, os números de usuários ativos está declinando.
  • A média de idade de usuários do Facebook aumentou de 38 para 41 anos.
  • O número de mães acessando o Facebook cresce rapidamente.
  • Adolescentes estão migrando rapidamente para plataformas móveis e o Facebook app não é seu aplicativo favorito.
  • Existem muitos aplicativos novos e interessantes como o Kik Messenger, WhatsApp e o SnapChat que estão chamando a atenção dos adolescentes.

Em seu artigo, Treanor apresenta um infográfico curioso, do qual destacamos a seguinte imagem, que representa as mas comuns reclamações dos adolescentes com relação ao Facebook:

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Copyright: Right Mix Marketing Inc.

Como se pode ver, a reclamação nº 1 é:

"Meus pais estão agora no Facebook!"

Enfim, não é preciso dizer mais nada... Mesmo assim, vamos fazer um exercício hipotético.

Adolescentes abandonam redes sociais, diz estudo

Estão os adolescentes abandonando o Facebook?

Pensem no seguinte cenário: nessa fase da vida, predomina uma irresistível curiosidade sexual e ideológica nesses jovens. E o gosto pela experimentação também se fortalece. Mas tudo isso esbarra no controle e na supervisão parental. Seu filho sabe que você acessa o Facebook (provavelmente é seu "amigo" na rede social). Por isso, sabe que pode estar sendo monitorado. E se incomoda com isso. Parte, então, para outras redes sociais onde você ainda não está "presente" digitalmente. Migram para plataformas onde poderão estar livres de vigilância. E se você o acompanha na migração digital, eles continuam aprofundando-se na exploração dos territórios digitais cada vez mais discretos e desconhecidos... até encontrarem uma terra "sem lei" onde possam expressar-se e satisfazerem todas as suas curiosidades sem medo.

Isso não é difícil de ser constatado. Vamos às perguntas básicas:

  • Quantos pais e responsáveis têm perfil ativo no Facebook ou no Google Plus?

Possivelmente, um grande número. Afinal, é a rede social preferida entre os adultos.

  • Mas quantos têm perfil no Twitter?

Ok. Aqui, também, alguma boa chance de pais se fazerem presentes.

  • E quantos mais têm perfil no Instagram, no Kik Messenger, no Snapchat, no Vine, no Pinterest, Pheed, Ning, Flicker, Badoo, MySpace ou no Ask.fm?

Não há dúvida de que muitos adultos leitores deste Blog nunca tenham ouvido falar em nenhuma dessas redes citadas aqui... Outros, até ouviram falar de algmas, mas nunca se deram ao trabalho de se cadastrar e acessar. Mas a chance de encontrar algum adulto presente em 100% dessas redes sociais é desafiadora: diríamos... próximo de zero (em um palpite baseado na experiência).

Essa é a provável realidade de acesso e comportamento digital entre crianças, adolescentes e adultos com quem convivem. A típica disparidade entre gerações e a clássica defasagem na capacidade de acompanhar as inovações tecnológicas alimentam conflitos como esse.

Existem, é, óbvio, riscos decorrentes desses "gaps" de vigilância parental. Perigos concretos relacionados a essas plataformas digitais e à pornografia.

Falaremos, em outro post no futuro, um pouco sobre as redes sociais de conversação e bate-papo, como o Whatsapp, o Kik Messenger e o Snapchat. Neste post, porém, nossa maior preocupação é com relação a uma das mais interessantes e populares redes sociais de troca de fotos e vídeos: o Instagram.

Começamos com a seguinte pergunta:

O Instagram é uma rede social segura para nossas crianças e adolescentes?

Você ainda não conhece o Instagram? Demorou!

Trata-se, basicamente, de uma rede social para compartilhamento de fotos e vídeos de curta duração (3 a 15 segundos). Para acessar, o usuário precisa se cadastrar com um email, uma senha e um nome de usuário, que se tornará sua "identidade" digital na rede.

Tela de cadastro
Guia Perfil do Usuário

Uma vez cadastrado e devidamente "loggado", o usuário pode seguir outros usuários e acompanhar suas publicações, curti-las e comentá-las diretamente com o autor da foto ou citando terceiros na publicação. O foco da interação é pessoa-a-pessoa, mas é possível estabelecer uma conversação com múltiplos usuários a partir da publicação de um deles.

Pode, também, criar suas próprias fotos e vídeos, compartilhando-os com seus seguidores.

Guia Câmera

Essas são, afinal, as noções básicas de acesso à rede.

Diretrizes e regras da comunidade virtual do Instagram.

Em primeiro lugar, é bom que se diga que o Instagram tem uma política de uso voltada à comunidade de usuários. Logo de início, que fique claro que a rede não pode ser usada por menores de 13 anos, assim o Facebook e outras redes sociais estabelecem. No Brasil, as implicações são maiores e mais complexas, porque, afinal, cadastrar-se em um site social significa firmar um contrato com cláusulas, direitos e obrigações. E a legislação civil brasileira é clara ao estabelecer que os absolutamente incapazes (no caso, menores de 16 anos) não podem celebrar negócios jurídicos, sob pena de nulidade:

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:

I - os menores de dezesseis anos;

(...)

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:

I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;

Mas esta é uma discussão para outra postagem. Vamos adiante do assunto de hoje.

Em sua versão básica, as diretrizes do Instagram são basicamente as seguintes:

    1. Publique fotos e vídeos que pertençam a você.
    2. Mantenha-se vestido.
    3. Seja educado.
    4. Não envie spam.
    5. DIVIRTA-SE!

Ao detalhar cada diretriz um pouco mais, o Instagram sugere o seguinte:

1. Compartilhe fotos e vídeos que você mesmo tenha tirado ou gravado.

O Instagram é uma ótima maneira de compartilhar sua vida através de fotos e vídeos, mas pedimos que você não compartilhe fotos ou vídeos da vida de outra pessoa. Como usuários são detentores dos direitos de todas as fotos e vídeos carregados por eles usando nosso serviço, pedimos que você respeite sua propriedade de direitos autorais. Se você deseja mostrar sua empolgação sobre uma foto ou um vídeo atraente, o melhor a fazer é tocar duas vezes na publicação para curtí-la!

2. Compartilhe fotos e vídeos que sejam seguros para pessoas de todas as idades.

Lembre-se de que nossa comunidade é diversa, e que suas publicações estão visíveis para pessoas de a partir de 13 anos de idade. Enquanto respeitamos a integridade artística de fotos e vídeos, precisamos manter nosso produto e seu conteúdo de acordo com a nossa classificação na App Store para nudez e conteúdo adulto. Em outras palavras, não publique nudez ou conteúdo adulto de nenhum tipo.

3. Trate outras pessoas como gostaria de ser tratado.

Pessoas de todo o mundo com origens diferentes se juntam para compartilhar imagens no Instagram, o que é ótimo, mas isso também significa que nem todas as pessoas concordarão com suas crenças ou sua forma de pensar. Pedimos que todos os usuários sejam educados e respeitosos em suas interações com outros usuários.

4. Tenha interações significativas e verdadeiras.

Autopromoção ou solicitação comercial de qualquer tipo, em qualquer formato, é raramente recebida positivamente. Os usuários normalmente percebem quando alguém publicou o mesmo comentário em outro local ou seguiu um grande número de usuários para ganhar seguidores, por isso, seja sincero em suas interações no Instagram.

5. Divirta-se!

O Instagram é a melhor maneira de compartilhar rapidamente fotos e vídeos atrentes de sua vida e ver o mundo através dos olhos de outras.

Caso essas regras ainda não estejam suficientemente claras, o usuário pode acessar a qualquer momento os Termos de Uso, disponíveis apenas na língua inglesa.

Essas regras e diretrizes, é claro, são confrontadas diariamente, por um sem-número de usuários com intenções nada nobres. Seja pela prática de SPAM (finalidade comercial), seja pela violação de direitos autorais (publicar fotos e videos de terceiros sem autorização) e, naturalmente, seja pela divulgação de conteúdo ilegal (pornografia, apologia às drogas, discriminação racial etc.).

Mas, afinal, como o usuário tem acesso a esse conteúdo inadequado ou ilícito?

Muito simples: principalmente, através da Guia "Explorar" (representada por um ícone que lembra a rosa dos ventos utilizadas em mapas):

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Clicando nesse ícone, o usuário tem acesso à página do aplicativo que permite a busca por palavras-chaves e perfis da rede social.

E é aqui que mora o perigo.

Nós, aqui do Blog, fizemos algumas experiências nas últimas semanas, em dias e horários diferentes.

Algumas hashtags, especialmente aquelas que representam palavras eróticas ou pornográficas muito óbvias em inglês, são bloqueadas no sistema. Para essas, o filtro de busca por palavras fica desativado.

Se o usuário procurar, por exemplo, por #sex, #fuck, #penis, #pussy etc., não vai ter êxito na busca. Esse filtro de conteúdo em pesquisa já é feito pela equipe do Instagram, e, mesmo que o usuário publique uma foto e insira uma das palavras "proibidas" com hashtag, não vai ter eficácia alguma. O conteúdo não aparece nos resultados da Guia Explorar.

Mas, por outro lado, se a busca é feita por palavras semelhantes a essas em outras línguas, como o português, a eficiência da rede social em bloquear conteúdo impróprio não é tão boa assim. E são essas "janelas de oportunidade" que podem expor menores de idade a um submundo de troca de imagens e vídeos pessoais em poses eróticas e pornográficas, incluindo a possibilidade concreta de interação com o "autor" da pornografia.

Fizemos, desse modo, outros testes, desta vez em português.

Ao pesquisarmos uma famosa palavra que representa a genitália feminina, os resultados de imagens e vídeos foram os seguintes:

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Ou seja: muitas fotos e vídeos de nudez e erotismo explícitos, tanto masculino como feminino. Abaixo, algumas fotos publicadas e exibidas na Guia Explorar correspondiam ao esperado nessa busca: fotos de mulheres nuas.

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Foto de mulher seminua divulgada em perfil
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Foto de mulher nua divulgada em perfil
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Foto de adolescente nua com convite para troca de fotos através do Kik

Ainda assim, surpreendentemente, apesar de a busca ter sido por uma palavra popularmente conhecida para expressar o órgão sexual da mulher, os primeiros resultados na busca foram majoritariamente fotos e videos de órgãos sexuais e corpos masculinos em fotos nitidamente "amadoras", ou seja, certamente produzidas pelo próprio autor das publicações e possivelmente de si mesmo. E pior: a maioria associada a perfis com convites para trocas de imagens e bate-papo.

Vejam os seguintes usuários e suas descrições na rede social:

Perfil com imagens sensuais, pedindo troca de fotos através do Kik
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Perfil em português, com fotos eróticas e pornográficas de mulheres

A pesquisa foi se aprofundando, à medida que o encontrávamos cada vez mais resultados e clicávamos nas fotos desejadas. Aliás, é muito comum a prática de publicar conteúdo na rede com referência a vários hashtags, de forma que uma foto remete a outro resultado de busca e assim sucessivamente. Lembrem-se de que todos os hashtags no Instagram são links clicáveis, que remetem a resultados de busca por aquela palavra-chave.

Nessa linha, ao procurar por uma palavra-chave feminina, encontramos resultados de fotos masculinas, marcadas por outros hashtags em inglês que remetiam a outra busca - desta vez, a palavra-chave que fazia referência ao órgão sexual masculino. Fomos adiante, clicando em um resultado de busca sobre outro, através dos hiperlinks criados pelos hashtags.

Não deu outra: desta vez, os resultados foram fidedignos à busca: fotos de nus frontais e órgãos sexuais masculinos predominavam.

No entanto, surgiu um segundo alerta nessa investigação digital: ao aprofundarmo-nos nessa segunda pesquisa, começaram a surgir fotos de meninos (e, em menor frequência, meninas) em posições eróticas ou sensuais, inclusive homossexuais. E aí a pedofilia resolveu aparecer na tela dos nossos iPhones e iPads. Confiram:

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Perfil convidando usuários a trocas de fotos de meninos nus, seminus e em posições eróticas homossexuais através do Kik

Como esse acima, localizamos dezenas de outros perfis, todos com fotos de pedofilia explícita e TODOS convidando para o Kik ou Snapchat (programas de bate-papo e trocas de arquivos).

É bem verdade que essas fotos e esses perfis não duram muito tempo na rede, uma vez que a equipe do Instagram costuma ser ágil no bloqueio e exclusão da foto ou do usuário. Em algumas fotos por nós monitoradas, observamos que as imagens ficaram expostas na rede em média por 5-7 dias, com algumas disponíveis há 14 dias e outras recém-adicionadas, poucos minutos antes de acessarmos. Mas conseguimos localizar fotos pornográficas disponíveis há 3 semanas ou mais na rede.

Ainda assim, mesmo com toda a agilidade do Instagram no bloqueio e exclusão de conteúdo impróprio, a menor e mais curta"janela de oportunidade" (que pode ser de alguns minutos atrás ou mesmo dias) ainda assim representa um risco em potencial. Chegamos a constatar usuários que são frequentadores assíduos de determinado "estilo" de fotografia, marcando presença constante através de comentários sexuais e "curtidas" em diversos perfis e fotos. Obviamente, esses usuários trilharam os mesmo "caminhos" que percorremos em nossa investigação.

Mas nossas observações não pararam aí.

Ao acessarmos aleatoriamente algumas imagens de nus frontais (masculinos e femininos), investigamos os usuários que as "curtiram" e aqueles que as comentaram.

Boa parte deles é protegido por perfis anônimos (o que já demonstra uma certa tendência de utilização da rede social para fins obscuros), mas encontramos um surpreendente número de usuários (masculinos e femininos) cujos perfis indicavam serem crianças e adolescentes que levam, aparentemente, uma vida normal, porém bastante exposta na rede social - como as fotos de seus perfis revelaram.

Foi o caso da seguinte foto:

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Foto localizada em uma das buscas que revela nu frontal com exposição de órgão sexual masculino recebeu 94 "curtidas" em 3 semanas de exposição na rede social

Ao acessarmos as pessoas que curtiram a foto (94 usuários, conforme se vê na imagem acima), detectamos muitos perfis anônimos, mas alguns perfis aparentemente reais e representativos de usuárias mulheres e menores de idade. Escolhemos uma dessas usuárias, cujo perfil aparentava conter o nome e sobrenome reais.

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Imagem representativa das "curtidas" que a foto acima recebeu e as pessoas que curtira

E qual não foi nossa surpresa: era verdadeiramente o perfil de uma menina, uma criança. Não pudemos apurar a idade, mas aparenta não ter mais que 10 anos de idade. E o mas grave: a descrição do perfil continha explicitamente o número do seu Whatsapp... ou seja, para quem entende como funciona esse programa de conversação, a garota estava revelando publicamente o número do seu telefone celular (localizado em São Paulo).

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Perfil de usuária mulher e menor de idade, com indicação do telefone celular para contato através do Whatsapp.

O mesmo caso se repetiu com outros testes, o que nos revelou o quão preocupante pode ser o acesso de jovens a essa rede social.

Ainda hoje, na data de publicação deste post, constatamos que essa criança do exemplo acima continua lá, na rede social, publicando inocentemente suas fotos em um perfil irrestrito, de acesso público (sequer teve o cuidado de proteger a conta).

Privacidade? Nenhuma. Perigo? Total.

Formas que os usuários encontram de burlar os filtros de busca com palavras pornográficas

Por mais que a equipe do Instagram se esforce, os usuários sempre encontrarão um meio de burlar o sistema de controle de conteúdo.

Um método muito comum tem sido o seguinte:

Muitas hashtags que usamos em nossos testes remetiam a palavras cujas vogais (a, e, i, o, u) foram substituídas por números (a = 4, e = 3, i = 1, o = 0, u = V). Assim, a palavra "perigo" era escrita entre jovens da geração digital como sendo "p3r1g0" e assim por diante.

Além disso, existe um sem-número de código e abreviações.

Exemplos das mais comuns - e verdadeiramente inocentes - são: LOL, LMAO, STFU, OMFG, WTF, ROFL, WTFWJD.

Mas existem as gírias codificadas, digamos assim, do "mal".

Imagine toda essa criatividade associada à pornografia... e as variantes vernaculares em diferentes línguas.

Não nos cabe aqui revelar, mas constatamos algumas abreviações de conteúdo exclusivamente erótico e muitas variantes de palavrões em inglês, mas expressados em outras línguas (português, espanhol e até italiano).

Internet e pornografia sempre estiveram lado-a-lado. Qual a diferença com relação ao Instagram e outras redes sociais semelhantes?

Na verdade, é importante alertar que não realizamos nenhum estudo científico e nossas conclusões são baseadas em investigações e experiências informais e sem nenhuma metodologia teórica. Apenas procedemos como pais preocupados com nossos filhos e tios apreensivos por nossos sobrinhos e sobrinhas. Esperamos, na verdade, que nossos alertas possam servir de inspiração para cientistas sociais e pesquisadores da web aprofundarem-se no tema.

Acreditamos, é verdade, que as redes sociais baseadas principalmente em plataformas móveis (celulares e tablets) têm um potencial danoso mais elevado que os clássicos sites de pornografia da web no que diz respeito à pornografia.

E isso com base em uma premissa básica: as redes sociais têm a finalidade de aproximar as pessoas, de promover a integração social e de potencializar o relacionamento entre indivíduos. Por isso a internet, hoje, é tão mais personificada: existem os blogs pessoais e os perfis individuais em redes sociais. Todos querem se mostrar para o mundo e dizerem quem são, o que fazem e com quem estão.

Essa mesma lógica estruturante do comportamento digital social aplica-se à pornografia online.

O Instagram, nesse contexto, assim como o Kik, Snapchat etc. estão sendo utilizados, cada vez mais, por usuários com o intuito de sexualizar a própria interação online.

A grande diferença é que, ao contrário de sites comerciais eróticos na internet, muito possivelmente boa parte das fotos e vídeos hoje compartilhados de forma imprópria no Instagram e outras redes de imagens são retratos do próprio usuário. É um comportamento narcisista, é verdade, mas atrelado à própria sexualidade e o desejo de satisfação pessoal.

E é justamente essa realidade que pode representar um perigo a crianças e adolescentes em vários níveis:

Em primeiro lugar, pressupomos que o usuário que publica foto de órgão sexual em "closes" o faz em seu aparelho móvel (celular ou tablet). Ou seja, está acessível a um nível direto de contato, sem intermediários. Quando alguém curte sua foto ou comenta, o autor da imagem tem acesso instantâneo ao seu interlocutor, de qualquer lugar onde esteja. Com isso, pode estabelecer um contato cada vez mais pessoal e íntimo, migrando rapidamente do Instagram para plataformas mais reservadas de bate-papo online, como o Kik e o Whatsapp.

Em segundo lugar, também tememos pela superexposição inocente de fotos que crianças fazem de si mesmas e de seu cotidiano sem as devidas precauções de segurança digital e controle de privacidade. Nos exemplos que demos acima, muitas crianças publicavam suas fotos em perfis abertos ao público, o que é extremamente perigoso. Elas podem, sem querer, atrair pessoas mal intencionadas e até mesmo criminosas.

Em terceiro lugar, boa parte de pais e responsáveis sequer tem conhecimento da existência de tantas redes sociais, ou mesmo que seus filhos as estão acessando. Sequer sabem o que estão fazendo e com quem estão interagindo. Por isso, podem estar, neste exato momento, com seus filhos em risco de exposição real a criminosos e pessoas doentias sem nem mesmo saber disso.

Recomendamos, inclusive, a esse respeito, que pais e filhos assistam, juntos, ao seguinte filme:

Confiar (2010)

A histórica é fictícia, mas pode ser verdadeira para muitas famílias que já viveram esse drama: a pedofilia na internet.

Eis a sinopse oferecida pelo site Adoro Cinema:

Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) têm três filhos. Enquanto um está prestes a entrar para a faculdade, a filha do meio, Annie (Liana Liberato), começa a apresentar os sintomas comuns das adolescentes que querem se parecer mais velhas e ser aceitas entre seus pares. Publicitário bem sucedido e super envolvido com a profissão, Will procura ter uma relação de confiança com os filhos, mas Annie inicia um relacionamento no computador com um jovem de 16 anos e dá continuidade através do telefone. Sem que seus pais soubessem, ela aceita o convite dele para um encontro, mas a surpresa que ela tem no primeiro momento é só o começo de um pesadelo que marcará para sempre a sua vida e a de sua família.

Não vamos revelar a história, mas apenas alguns detalhes: a adolescente ganha de presente de aniversário um notebook de seu pai e passa a acessar a internet sem qualquer supervisão dos pais. Estabelece, em uma sala de bate-papo, contato com um "jovem de 16 anos" que não é exatamente "jovem". Aos poucos, descobre que ele é mais velho que isso até constatar, finalmente, que se trata de um homem de cerca de 35 anos, que a seduz e marca sua vida para sempre. Apaixonada e a princípio relutante com a ideia de que fora vítima de um pedófilo, a adolescente entra em crise com a família, principalmente o pai, e isso o enlouquece profundamente, a ponto de por em risco seus negócios e sua vida conjugal.

O final não é feliz e acho que já falamos demais. Mas o que vale é a reflexão sobre a narrativa direta e verossímel do diretor sobre esse tema tão delicado.

É um filme dramático e muito forte. Mas que merece ser visto e discutido em família. Aqui o trailer:

Enfim, fica o nosso alerta.

Como conclusão de nossas experimentações informais, achamos o Instagram uma rede relativamente segura, mas seu sistema de controle de conteúdo é limitado. Eficaz, porém ineficiente. Isso se deve, essencialmente, ao grande número de usuários e de publicações. Talvez o Facebook (dona da rede social de imagens) deva, em algum momento, aumentar sua equipe de controle parental. Ou a ferramenta pode se tornar um reduto para os mais vis seres humanos.

Afinal, como controlar 40 milhões de fotos publicadas TODOS OS DIAS?

Ainda acreditamos que o melhor a ser feito é conversar. Educar. Ensinar.

Não podemos delegar a educação de nossos filhos exclusivamente ao Estado e a empresas.

Eles são nossos maiores tesouros.

Nossas maiores riquezas.

E justamente por isso devemos fazer tudo ao nosso alcance para protegê-los.

É nosso dever. É nossa responsabilidade!

Abraços,

Fabricio Mota e Maurício Gieseler

Atualização de post (16/10/2013, 00h57):

Caros leitores do BFD,

Temos observado o esforço da rede social em filtrar os tags que desvirtuam as regras gerais do aplicativo e mesmo que violam leis nacionais e internacionais com relação à pornografia.

Mas, sinceramente, a solução ainda não foi encontrada. Somem alguns hashtags, aparecem outros. E os riscos para crianças e adolescentes não páram de aumentar. O instragam agora lançou o recurso Instagram Direct, que permite aos usuários da rede social a troca de mensagens individualizadas, quase um bate-papo privado.

Sem dúvida, mais uma ferramenta de grande contribuição para a conectividade digital, mas que oferece seu grau de novicidade...

Continuamos a achar que algo deva ser feito para que o Facebook (dona do Instagram) ofereça um programa verdadeiramente seguro a todos os que dele queiram participar. Do contrário, pais e filhos terão de rediscutir a forma de utilização dessas redes de trocas de fotos e vídeos, uma vez que o controle parental é extremamente limitado...

As imagens abaixo foram tiradas hoje, na data de atualização desde post.

Havia mais de 7 mil fotos vinculadas a essa hashtag.

Ou seja: o perigo "mora" ao lado.

Fotos

Foto

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5 opiniões sobre “O Instagram e o submundo da pornografia “mobile”: o perigo compartilha ao lado”

  1. Parabéns pelo artigo Prof. Fabricio , nos pais temos que estar atento a tudo pois nossos filhos não tem malícia ficando mais vulnerávei, abraços e força nesta longa jornada!
    Wellington

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    1. Obrigado, grande Wellington. Esse é um perigo cada vez mais presente nos lares das famílias brasileiras… e poucos têm noção disso! grande abraço!

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  2. Parabéns pelo blog! Tenho filhos pequenos e como a maioria, na minha opinião muito expostos a um perigo que a nossa geração de pais é a primeira a enfrentar. Não compreendemos muito bem a extensão disso tudo, tentamos nos aproximar e ao que parece acabamos nos afastando deles virtualmente. Achei seus comentários muito pertinentes e esclarecedores.

    Mônica

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    1. Obrigado, Mônica. Também somos pais e temos uma preocupação genuína e bem real. Temos acompanhado o Instagram, porque, hoje, consideramos ser a interface mais perigosa para esse submundo que está aí. Vamos publicar outro post em breve, desta vez, com comentários de autoridades públicas a respeito. Um abraço. Fabricio

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